Publicado em 28/04/2026
Foto: Divulgação
Por Alessandra Karoline
O Museu dos Povos Acreanos será o palco, no próximo sábado (2), da Conferência Popular de Cultura. Com o tema “Territórios que Falam, Cultura que Resiste”, o evento pretende mobilizar artistas, produtores e gestores de todo o estado para debater o futuro das políticas públicas e os novos modelos de financiamento para o setor.
O encontro se consolida como um espaço estratégico de formulação coletiva, contando com a participação de delegações vindas de diversas regiões, como o Vale do Juruá e os municípios de Sena Madureira, Bujari e Porto Acre.

A programação foi estruturada para exaltar a diversidade da “Amazônia Acre”. Segundo Claudia Toledo, coordenadora geral do Comitê de Cultura Acre, a conferência prioriza a troca direta entre comunidades tradicionais e centros urbanos. Um dos destaques será a participação e valorização dos povos indígenas, como a etnia Shanenawa.
“Trabalhamos no fortalecimento da identidade cultural do Acre. A programação conta com apresentações de talentos do interior como forma de valorização, mostrando que precisamos desses momentos de troca”, pontuou a coordenadora.
Um dos debates mais aguardados gira em torno da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). A conferência propõe uma análise crítica sobre os atuais modelos de fomento, defendendo que a cultura deve ser tratada de forma transversal e não limitada apenas ao formato rígido de editais.
O objetivo central é garantir que os recursos e as políticas de Estado “cheguem nas pontas”, alcançando territórios periféricos e comunidades que historicamente ficam à margem dos investimentos oficiais.
Cultura como Ferramenta Social e Acessibilidade
No período da tarde, os Grupos de Trabalho (GTs) focarão em temas sociais urgentes. Entre as pautas estão o papel da produção cultural no enfrentamento ao feminicídio e às violências contra a população LGBTQIAPN+.
A questão da acessibilidade também será discutida em um sentido amplo:
Física e Atitudinal: Para pessoas com deficiência;
Financeira e Simbólica: Garantindo que todo cidadão tenha condições de acessar e consumir bens culturais.
As resoluções desses debates serão compiladas na “Carta da Conferência”, documento que servirá como guia para reivindicações políticas e ações do setor cultural junto ao poder público.
Realização:
O evento é uma iniciativa do Comitê de Cultura Acre, vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), com apoio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) e parceria da Federação de Teatro do Acre (Fetac).
Nota: Devido à grande procura, as inscrições para o evento já foram encerradas.


