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quarta-feira, 1 de julho de 2026
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Sabia ou não?

Publicado em 01/07/2026

O ex-presidente e presidiário, Jair Bolsonaro, sabia ou não do desabafo da sua esposa?

Se sabia, por que não evitou? E se não sabia, portanto foi traído. Afinal de contas, contra a candidatura de Flávio Bolsonaro, nada pior poderia ter acontecido; diria até que foi mais comprometedor que o seu encontro com Daniel Vorcaro, quando o mesmo foi cobrar uma dívida, e de altíssimo valor.

Pior ainda: no referido encontro, o dito-cujo, Daniel Vorcaro, portava uma tornozeleira eletrônica em razão dos crimes de que estava sendo acusado. Portanto, ainda que tenha sido a título de desabafo, o que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro revelou carece ser avaliado, posto que, em tempos de machismo e de maus-tratos contra as mulheres, as suas revelações carecem ser devidamente avaliadas.

Neste particular, eis a pergunta que não quer calar: o chefão da família Bolsonaro, no caso, o próprio Jair, sabia ou não sabia que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro traria essa questão ao conhecimento público?

De certo, uma coisa: o clima entre a madrasta, Michelle Bolsonaro, e os primogênitos do próprio Jair Bolsonaro sempre foi o pior possível. Pois se não fosse, por uma questão de autoestima, a própria madrasta teria se contido, ou seja, evitado o vexame que veio a provocar.

A desunião entre os membros da família Bolsonaro — sobretudo entre Michelle Bolsonaro e os seus três enteados —, não por acaso detentores de mandatos eletivos, embora pouco explorada, sempre existiu. E isso porque é bem mais fácil se encontrar uma agulha num palheiro do que se encontrar um relacionamento saudável entre uma madrasta e seus enteados.

Como o nome “Michelle Bolsonaro” cresceu a ponto de ser lembrado como uma possível candidata à Presidência da República, Eduardo Bolsonaro e, logo a seguir, o próprio Flávio Bolsonaro passaram a conspirar contra sua especulada candidatura. Enquanto isso, e de braços cruzados, o próprio Jair Bolsonaro foi deixando as águas rolarem até as últimas horas, e quando essa hora chegou, veio a optar pela candidatura de Flávio Bolsonaro.

Bem mais surpreendente que a indicação da candidatura de Flávio Bolsonaro veio a ser o silêncio amarelado dos demais candidatos, ditos da direita, que mantiveram as suas candidaturas, entre elas, e a se destacar, a de Ronaldo Caiado e a de Romeu Zema.

Ao entregarem-se aos caprichos do próprio Jair Bolsonaro, de certo o candidato que ele viria a escolher teria que ter o sobrenome Bolsonaro como condição sine qua non e, de preferência, consanguíneo — coisa de que a própria Michelle não dispunha.

Por último, e seguindo a cartilha do bolsonarismo, é bem melhor perder uma eleição do que ganhar quando não se tem confiança no ganhador. E na Michelle, os filhos de Bolsonaro nunca confiaram.

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