Publicado em 30/03/2026
Os fugitivos partidários, com ou sem mandato descaradamente irão fugir pela tal janela.
Uma democracia, a exemplo da nossa permite que os detentores de mandatos eletivos troquem o partido pelo qual havia sido eleitos faltando apenas seis meses para as próximas eleições. Assim sendo, democraticamente, temos muito pouco e de anárquico o bastante, até porque, nada mais poderá fragilizar uma democracia do que permitir e legalizar uma excrescência como a nossa tal janela partidária.
Pior ainda: os nossos partidos políticos são financiados com recursos públicos. Daí as suas exageradas quantidades e suas baixíssimas qualidades. Portanto, haja dinheiro para atender os seus mais diversos e espúrios interesses, entre eles, a se destacar, a nossa corrupção eleitoral.
A nossa democracia tem nos feito crer que é a corrupção que faz um partido político crescer e se agigantar, a despeito dos reveses que possa acontecer, a exemplo do que está acontecendo com o PSDB presentemente se apequenado e em vias de desaparecer, justamente pela escassez de recursos para financiá-lo, e em contrapartida, oPL dos bolsonaristas e o PT dos lulistas dispondo dos milhões e milhões reais para competirem no nosso mercantilizado mercado eleitoral.
Para tanto basta que avaliemos a corrupção que vem rolando em razão das apelidadas emendas parlamentares aos nossos orçamentos públicos, uma fragrante imoralidade, porém legalizada.
Nas eleições deste ano, apenas no decorrer dos seus atuais mandatos os nossos deputados federais e senadores dispuseram, anualmente, de R$-50,00 milhões e no decorrer dos últimos quatro anos, nada menos de R$-200,00 milhões para se financiarem e bancarem suas reeleições.
E o mais grave: em seus discursos, tanto na Tribuna da nossa Câmara dos Deputados Federais quanto na do nosso Senado Federal, em razão da nossa polarização política, os nossos dois pólos, reciprocamente, não param de se denunciarem, como se estivessem à vontade para fazer suas hipotéticas delações premiadas.
Das duas uma: ou a nossa legislação eleitoral será mudada, e de sorte a evitar, não apenas os surgimentos de novos partidos, assim como, as mortes de alguns outros, a nossa democracia continuará rumo ao desastre e tendo como causa as suas próprias desmoralizações.
Ao final do próximo mês de abril, quando a tal janela partidária for fechada, por baixo, uma centena de seus candidatos estarão estreando em seus novos partidos e alguns dos eleitos nas eleições passadas amargando suas merecidas derrotas. .
Se o ex-presidente Jair Bolonaro e o renomado Ciro Gomes já foram filiados a 10 partidos políticos distintos, taí dois dos piores exemplos.

