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Opinião: Trump muda radicalmente de estratégia com o Brasil ao tirar Moraes da lista de sanções da Magnitsky

Publicado em 13/12/2025

O presidente dos EUA, Donald Trump, na Sala Roosevelt da Casa Branca em Washington, DC, em 10 de dezembro de 2025 Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP

Departamento do Tesouro, a quem cabe aplicar as sanções, tem resistido ao emprego da Lei Magnitsky contra o Brasil desde julho, pela dificuldade de provar que o país viola os direitos humanos, motivo de sua criação

Por Lourival Sant’Anna | Estadão

A decisão de retirar o ministro Alexandre de Moraes e sua mulher Viviane Barci da lista de sancionados pela Lei Magnitsky é parte da mudança radical na estratégia de Donald Trump para o Brasil. A aprovação do projeto de lei que reduz as penas para os acusados de tentativa de golpe, incluindo Jair Bolsonaro, explica o timing do anúncio mas não a decisão em si, que já estava tomada.

Até porque o projeto ainda pode ser vetado por Lula. Se o governo americano quisesse ir em outra direção, poderia usar o escândalo envolvendo a contratação milionária de Viviane pelo banco Master, como pretexto até para adotar sanções secundárias contra bancos e empresas que prestam serviços ao casal.

Mas as decisões de Trump, tanto de adotar quanto de abandonar as sanções, estão dissociadas do que se passa no Brasil e se restringem a cálculos políticos do presidente americano.

A campanha contra o governo Lula e o STF e em favor de Bolsonaro foi desenhada e impulsionada pelo Departamento de Estado. De acordo com a minha apuração, o Departamento do Tesouro, a quem cabe aplicar as sanções, tem resistido ao emprego da Lei Magnitsky contra o Brasil desde julho, pela dificuldade de provar que o país viola os direitos humanos, motivo de sua criação.

Em setembro, Trump constatou que a condenação de Bolsonaro era irreversível e as sanções aumentaram a popularidade de Lula. A insistência nessa estratégia levaria ao fracasso.

Como ele diz, Trump não gosta de ficar do lado de “perdedores”, e reconstruiu a narrativa, identificando em Lula o líder que foi vítima de “caça às bruxas” da Justiça e, como ele, “deu a volta por cima”, voltando à presidência.

Trump então literalmente abraçou Lula na ONU, dia 23 de setembro, e estabeleceu um canal de diálogo com o presidente brasileiro. No início de novembro, o alto custo de vida agravado pelas tarifas sobre carne, café, sucos de laranja e frutas, entre outros produtos brasileiros, contribuiu para derrotas eleitorais dos republicanos. E a Suprema Corte questionou o uso da lei de emergência econômica contra o Brasil.

Esses fatos estimularam a aproximação com o Brasil. Trump retirou as tarifas sobre esses produtos e segue um plano de distensionamento com o Brasil. Como escrevi na semana passada, a estratégia de Trump para a Venezuela está sob severo escrutínio. Distensionar com o Brasil é uma forma de provar que as tensões não são culpa de Trump, mas do regime venezuelano.

As negociações entre EUA e Brasil não começaram ainda. E envolverão temas difíceis, como a taxação e regulamentação das plataformas digitais e o protecionismo comercial brasileiro.

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