Publicado em 19/05/2026
Os problemas da nossa BR-364, sobretudo no trecho Sena Madureira/Tarauacá, vêm das suas fundações.
As recorrentes instabilidades da nossa BR-364 derivam das inconsistências das suas fundações, ou mais precisamente, do seu subleito e leito. Sendo assim, não será sobrepondo a sua sub-base e base com o que está sendo chamado de macadame que a sua estabilidade ocorrerá.
Se o que transmite a ideia de estabilidade de uma estrada vem a ser a sua capa asfaltada, assim como a pintura de um edifício anuncia sua conclusão, no nosso caso não, pois sempre que o subleito e o leito de uma estrada vierem a ceder, a sua sub-base e base também cederão, ainda que estejam protegidas por um macadame de concreto armado.
Nós, acreanos, já deveríamos estar fartos de saber disso quando o assunto vem a ser a instabilidade de uma estrada. Para tanto, bastaria compararmos o comportamento da nossa BR-364, no trecho Rio Branco/Cruzeiro do Sul, com o comportamento da BR-317, no trecho Rio Branco/Assis Brasil, na divisa do Brasil com a Bolívia e o Peru.
A exposição acima é o que me resta do que aprendi quando pretendia me tornar engenheiro civil; e como pertencia aos quadros de funcionários do 14º Distrito Rodoviário do Brasil, sediado em Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, mais estradeiro fui ficando.
Quando se fez governador do nosso Estado, o sonho de Orleir Cameli era asfaltar a BR-364 no trecho Rio Branco/Cruzeiro do Sul e, neste sentido, as suas primeiras ações foram nessa direção. Entretanto, ao tomar conhecimento de que cada quilômetro a ser asfaltado na direção de Cruzeiro do Sul custaria mais de uma dezena de vezes do que se direcionado no sentido Rio Branco/Brasiléia, ele realizou sua vocação e nos ligou à cidade de Assis Brasil, interligando-nos às cidades de Iñapari, no Peru, e Bolpebra, na Bolívia.
Asfaltar a BR-364 no trecho Rio Branco/Cruzeiro do Sul, e muito especialmente entre Sena Madureira/Tarauacá, por se tratar de um imperativo para o desenvolvimento econômico e social dos nossos irmãos juruaenses, faz-se urgente e necessário, mas não será à base de mais uma embromação que este sonho se tornará realidade.
Volto a lembrar e repetir: nada contra e tudo a favor quando se faz o tratamento do leito de uma estrada via macadame, contanto que seu subleito, leito, sub-base e base estejam plenamente estabilizados. Do contrário, volta a acontecer o que vem acontecendo, todos os anos, com a nossa BR-364.
E qual é o verdadeiro desafio para a pavimentação da nossa BR-364 nos seus trechos mais críticos? Simples assim: seus elevadíssimos custos. E estes só virão de um único lugar: dos cofres do nosso governo federal. Até porque, com os nossos parcos recursos, sequer estamos dando assistência, a contento, ao cumprimento de muitas outras obrigações do nosso Estado.

