Publicado em 30/04/2026
A liberdade não é um valor absoluto, mas sim algo que deve ser equilibrado.
Ao conduzir um veículo, se alguém se depara com o sinal vermelho, pisa-se no freio e nunca no acelerador. Este comportamento virou lei em 1968, numa convenção internacional realizada em Viena, capital da Áustria, e passou a ser mundialmente adotada, seja nos pequenos vilarejos ou nas nossas mais evoluídas e espetaculares metrópoles. Nenhum outro exemplo se presta tão bem para determinar os limites daquele que se afigura como o mais fundamental entre todos os direitos humanos.
No mundo animal, na mais famosa de suas obras, “A Revolução dos Bichos”, George Orwell, muito oportunamente, demonstrou que determinadas liberdades não deveriam prevalecer. Simples assim: se as raposas tivessem livre acesso aos galinheiros, o que aconteceria?
A liberdade existe, enquanto direito, para que a vontade dos mais fortes nem sempre prevaleça quando se contrapõe aos interesses dos mais fracos. Lamentavelmente, determinados chefes de Estado — o presidente dos EUA, Donald Trump, por exemplo — em razão do seu extraordinário poderio, costumam ameaçar determinados países, a exemplo do que já aconteceu com a Venezuela e a Faixa de Gaza; e em sua mira encontram-se o Líbano, a Groenlândia e a ilha de Cuba.
Nada contra a prevalência dos EUA enquanto árbitro em escala planetária, mas jamais na condição de donos do mundo. Outra não tem sido a causa que já levou o presidente Donald Trump a se tornar, entre todos os ex-presidentes dos EUA, aquele com o mais baixo índice de aprovação.
A convivência humana impõe limites éticos, sociais e jurídicos, e já tornou a liberdade um direito a ser relativizado, em particular, o direito à liberdade de expressão.
Segundo Kant, um dos mais importantes filósofos da nossa história, a liberdade não consiste em fazer o que se quer, e sim em fazer tudo o que se pode.
Pelo exposto, preocupa-me assistir àqueles que deveriam servir de exemplo no quesito liberdade sendo, justamente, aqueles que mais dela abusam. A propósito, os nossos três únicos poderes, no quesito independência, agem como se absolutos fossem, porém, no quesito harmonia, costumeiramente desafinam.
Lamentavelmente, tratando-se dos nossos partidos políticos, os seus seguidores e até mesmo aqueles que pretendem se candidatar a um mandato eletivo trocam de partido com a mesma facilidade com que trocam as suas vestes.

