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Inaceitável

Publicado em 02/07/2026

Por que a disputa pela Presidência da nossa República está se dando num baixíssimo nível?

Como a nossa próxima disputa presidencial vem se dando ao rés do chão, como se estivéssemos condicionados a escolher os piores candidatos — ou seja, os menos competentes e os menos honestos —, indigna-me constatar que valores como a competência e a honestidade dos nossos candidatos não estejam sendo observados; e, a cada dia que passa, mais e mais as podridões dos nossos candidatos vêm sendo expostas. Lembremos o imortal Renato Russo quando assim se expressou: que país é este?

A referida expressão vem de uns tempos em que, como regra, os nossos representantes políticos se davam ao respeito. Hoje, não raramente, em seus debates, desavergonhadamente, ouvimos coisas do tipo: “V. Exª é um ladrão” ou coisas do tipo: “V. Exª é um golpista”.

Se continuarmos neste clima, vença quem vencer, no quadriênio 2027/2030 seremos governados por um presidente desprovido da autoridade que tanto tem faltado no nosso país — até porque, por sorte ou por desgraça, o atual presidente Lula e/ou o senador Flávio Bolsonaro será eleito, posto que da especulada terceira via não surgiu ninguém, vide os fiascos das pré-candidaturas dos ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Aliás, esta dualidade decorre do nosso disfuncional sistema partidário e, na sua pior forma, do personalismo. No caso, a polarização Lula/Bolsonaro.

Neste particular, não estamos dando a menor atenção ao que nos ensinou Bertolt Brecht. O que ele preceituou? “Maldito é o país que precisa de heróis”. Eu jamais tive o presidente Lula, menos ainda o ex-presidente Jair Bolsonaro e tampouco o seu filho, Flávio Bolsonaro, como candidatos a herói.

Volto a repetir: o quadriênio 2027/2030 será decisivo para o nosso país. Afinal de contas, caso a nossa atual polarização continue, o pior ainda estará por vir, mormente num país que chegou a legalizar uma imoralidade como vêm a ser as tais emendas parlamentares aos nossos orçamentos públicos, posto que serão os arranjos parlamentares que irão determinar as nossas principais decisões políticas.

Nem a reeleição do presidente Lula e nem a improvável, mas não impossível eleição do candidato Flávio Bolsonaro colocará o nosso país no caminho do desenvolvimento, da paz e da harmonia. Nunca se viu na nossa atividade política uma lavagem de roupa suja sendo feita à vista de todos e no meio das nossas ruas, utilizando termos que são frequentes nas reuniões entre os membros que integram as nossas organizações criminosas.

A nossa involução política vem se dando, volto a repetir, num nível bastante degradante, e nada está nos levando a crer que, passadas as próximas eleições, a nossa polarização política, na forma em que se encontra, chegará ao fim.

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