Publicado em 04/06/2026
Foto: André Ávila
Por Redação
A governadora do Acre, Mailza Assis, decretou situação de emergência em saúde pública em todo o estado nesta quinta-feira (4). A medida, publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE), foi motivada por um severo surto de Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que provocou a superlotação das unidades de saúde estaduais e levou o sistema a operar no limite da capacidade.
O decreto classifica o atual cenário epidemiológico como um desastre natural biológico causado por epidemias de doenças infecciosas virais. Com a decisão, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) assume a coordenação central das ações de enfrentamento, ganhando prioridade administrativa para adotar medidas urgentes voltadas à ampliação da cobertura assistencial e à normalização do atendimento.
A decretação de emergência fundamenta-se na gravidade clínica dos pacientes, muitos dos quais necessitam de internação imediata em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). O fluxo intenso de novos casos gerou filas de espera por leitos de alta complexidade tanto na rede pública quanto na privada, afetando de forma crítica as alas adultas e pediátricas.
Para responder à crise, o governo estadual determinou que:
Todos os órgãos da Administração Pública estadual deem atendimento prioritário às demandas da Sesacre.
Fiquem autorizadas tramitações administrativas simplificadas e urgentes para a compra de insumos, medicamentos e contratação de serviços necessários ao combate do surto.
Alerta da Fiocruz e o Avanço dos Vírus
O colapso na rede de saúde acreana coincide com dados nacionais. A edição mais recente do Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada na quarta-feira (3), aponta que o Acre está entre os 18 estados brasileiros com tendência de crescimento contínuo de SRAG a longo prazo.
De acordo com a análise laboratorial referente à Semana Epidemiológica 21 (de 24 a 30 de maio), o avanço das hospitalizações no estado é impulsionado por três agentes principais:
Vírus Sincicial Respiratório (VSR)
Influenza A
Rinovírus
Atualmente, todas as unidades da Federação encontram-se em patamares de alerta, risco ou alto risco para a doença.
Os indicadores de letalidade acenderam o sinal vermelho na Sesacre no início desta semana. Um boletim epidemiológico emitido pela secretaria revelou que, até o dia 23 de maio, o Acre já contabilizava 1.303 casos de SRAG, um volume significativamente superior aos registros observados nos mesmos períodos de 2024 e 2025.
O balanço aponta que 37 pessoas morreram em decorrência da síndrome respiratória no estado. O dado mais alarmante concentra-se na primeira infância: 14 das vítimas fatais eram crianças, sendo metade delas menores de dois anos de idade. Nestes pacientes, as principais causas de óbito foram a bronquiolite e a pneumonia.
Especialistas apontam que fatores climáticos, como os reflexos tardios do fenômeno El Niño, têm influenciado diretamente o comportamento dos vírus e a proliferação acelerada das infecções respiratórias na Região Norte.

