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Gilmar Mendes acompanha julgamento da trama golpista diretamente da Primeira Turma do STF

Publicado em 11/09/2025

No quinto dia de julgamento da ação penal que trata da suposta trama golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados, o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), surpreendeu ao comparecer presencialmente à sessão da Primeira Turma. Ele não integra essa composição, o que torna sua presença na plateia algo incomum.

Gilmar chegou por uma entrada interna, utilizada pelos ministros, evitando contato com o público externo. Sentou-se discretamente na primeira fileira da sala de sessões, próximo aos ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia, que proferia seu voto no momento. O ministro acompanhou atentamente a sessão, em silêncio, com as pernas cruzadas, o celular sobre o joelho e a mão no queixo. Tomou até um cafezinho durante a sessão algo permitido apenas aos magistrados, já que o público não pode entrar sequer com garrafas de água por razões de segurança.

Fontes do UOL informaram que Gilmar não avisou previamente aos colegas sobre sua intenção de assistir ao julgamento. Na véspera, outros dois ministros Luís Roberto Barroso e Edson Fachin também acompanharam brevemente a sessão, mas apenas da sala interna, durante um intervalo.

A presença de Gilmar Mendes é vista como um gesto simbólico, que reforça a relevância do julgamento. O próprio ministro já havia declarado, durante um evento na Itália no início de setembro, que é “fundamental” responsabilizar os envolvidos na tentativa de subverter a ordem democrática. Na ocasião, afirmou que a democracia brasileira passou por “sobressaltos e ataques sem precedentes” desde 2018, o que evidenciou sua fragilidade institucional.

O julgamento foi retomado nesta quinta-feira (11) com o voto da ministra Cármen Lúcia, que indicou haver “prova cabal” da participação de Bolsonaro e aliados na tentativa de golpe. Em seguida, o ministro Cristiano Zanin deverá apresentar seu voto. Até agora, Alexandre de Moraes e Flávio Dino já se posicionaram pela condenação dos oito réus. Luiz Fux, por sua vez, votou apenas pela condenação de Mauro Cid e do general Braga Netto, ambos por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Nos bastidores, a relação entre Jair Bolsonaro e Gilmar Mendes também chama atenção. Em mensagens privadas, Bolsonaro teria pedido ao filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) que evitasse críticas ao ministro. Segundo o ex-presidente, ele tem conversado com alguns integrantes do Supremo e que “todos ou quase todos demonstram preocupação com as sanções”, em referência ao aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos ao Brasil e à revogação de vistos de autoridades brasileiras. Em uma troca de mensagens datada de 27 de junho, Eduardo Bolsonaro enviou arquivos ao pai e perguntou se poderia compartilhá-los. Jair respondeu: “Não. Esqueça qualquer crítica ao Gilmar.”

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