29.3 C
Rio Branco
quinta-feira, 14 de maio de 2026
O RIO BRANCO
Brasil

Explosão de casos de Influenza no Brasil acende alerta médico: “Gripe não é resfriadinho bobo”

Publicado em 14/05/2026

Foto: Reprodução

Por Redação O Rio Branco

Com aumento de 92% nas internações e baixa adesão vacinal, especialistas alertam para o risco da doença e convocam a população aos postos de saúde. A cobertura nacional atual está estagnada em 30%.

O Brasil enfrenta uma escalada grave e silenciosa que vem lotando hospitais de norte a sul do país. Trata-se do vírus Influenza, causador da gripe, que tem provocado um aumento drástico nos quadros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O cenário, classificado como “aterrador” por especialistas da área médica, esbarra num problema crónico: a baixa adesão da população às campanhas de vacinação.

Segundo dados recentes do boletim InfoGripe, da Fiocruz, e alertas emitidos pela classe médica, como o da pneumologista Dra. Célia Rocha, as internações por Influenza cresceram 92% este ano. Em estados como o Rio Grande do Sul, o salto nas taxas de internação por SRAG chegou a alarmantes 533%. No total, 17 estados brasileiros já apresentam comprometimento significativo.

O impacto é letal. No ano passado, mais de 7.000 pessoas perderam a vida no Brasil devido a complicações respiratórias graves. Neste ano, já são contabilizadas quase 2.000 mortes, com projeções matemáticas apontando para um aumento contínuo na letalidade da doença até 2026, caso o comportamento preventivo não mude.

O mito do “resfriadinho”

Uma das maiores barreiras no combate à doença é a desinformação. Muitas pessoas ainda confundem a gripe com um simples resfriado. A Dra. Célia Rocha é categórica ao desmentir essa ideia: “Gripe é muito mais forte. Não confunda com resfriadinho bobo”.

A Influenza manifesta-se através de febre alta (geralmente em torno dos 38,5ºC), extrema prostração, dores agudas no corpo, mal-estar, vómitos, diarreia e dores características nas panturrilhas. A infecção tem o poder de “descompensar” rapidamente o organismo, podendo levar o paciente à internação, intubação (CTI/UTI) e até ao óbito.

Paralelamente, há um forte alerta para o avanço do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que tem provocado bronquiolite e levado crianças a estados críticos.

Alerta para todos, risco redobrado para alguns

Embora a convocação para a vacina abranja toda a população — afinal, mesmo pessoas com “saúde de ferro” podem sofrer descompensações graves —, os grupos de risco precisam de proteção imediata. Estes incluem crianças a partir dos 6 meses, gestantes, profissionais de saúde e, sobretudo, pessoas com doenças pré-existentes (imunossuprimidos, diabéticos, doentes renais crónicos e portadores de doenças cardiovasculares ou respiratórias, como asma e enfisema).

A crise da vacinação e a crítica às autoridades

O antídoto para esta crise de saúde pública é conhecido, seguro e está disponível gratuitamente nos postos de saúde, mas as pessoas não estão a comparecer. A taxa atual de cobertura vacinal contra a Influenza no Brasil ronda os 30%, um número considerado “uma vergonha” quando a meta de segurança estipulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 90%.

Em resposta à urgência, municípios como o Rio de Janeiro já liberaram a vacina para todo o público, sem distinção de faixas etárias ou comorbilidades. A campanha oficial estende-se até ao dia 30 deste mês, e a ordem é vacinar o mais rápido possível.

Profissionais de saúde criticam a falta de campanhas massivas de educação e convocação por parte das autoridades competentes nos meios de comunicação tradicionais, como a televisão. Ao mesmo tempo, apelam para que a população utilize a internet de forma consciente, informando-se sobre saúde em vez de apenas consumir entretenimento, e que procure assistência médica aos primeiros sinais da doença, em vez de adiar o diagnóstico.

Uma previsão preocupante

Para além da crise atual da Influenza, os especialistas deixam um aviso para o futuro próximo. Mudanças climáticas extremas, desmatamento desenfreado e falta de saneamento básico estão a criar o cenário perfeito para o surgimento de novas ameaças. Prevê-se que, num espaço de seis anos, o mundo possa enfrentar uma nova pandemia, possivelmente ligada a vírus transmitidos por animais silvestres (como Nipah ou Mpox).

Neste contexto, a prevenção deixa de ser uma escolha e passa a ser a única saída viável. Como recorda a Dra. Célia Rocha no seu apelo dramático em defesa da saúde pública: “Vida não é ter um bom carro ou vestir roupa de grife. A vida é muito mais importante. Se você quer dar um bom presente para a sua família, leve todo o mundo para o posto para se vacinar”.

Vídeo Reprodução

Compartilhe:

Artigos Relacionados

Nova onda de calor chega a vários estados e no DF nesta quinta-feira

Marcio Nunes

Previdência reajusta benefícios e auxílio-reclusão vai a R$ 1.518

Jamile Romano

Consórcio da Amazônia Legal pedirá R$ 150 milhões para estruturar secretarias de povos indígenas

Raimundo Souza

Reajuste de preços em medicamentos entra em vigor na próxima segunda-feira

Raimundo Souza

Copom eleva juros básicos da economia para 12,25% ao ano

Marcio Nunes

Bolsonaro permanece na UTI e não tem previsão de alta nesta semana, dizem médicos

Jamile Romano