Publicado em 22/04/2026
Qual a escala de trabalho dos nossos congressistas?
Antes da libertação dos nossos escravos, embora tenhamos sido o último país do mundo a libertá-los, os nossos grandes empregadores se opuseram — em particular, os paulistas e os mineiros —, sob a alegação de que a nossa economia não resistiria. Ainda assim, a princesa Isabel, estando na regência em nome de seu pai, D. Pedro II, no dia 13 de maio de 1888, a decretou e, a partir de então, aos domingos, os nossos trabalhadores não mais se viam obrigados a comparecer aos seus postos de trabalho.
Presentemente, a escala 6×1 vem sendo bastante questionada e a escala 5×2 passou a ser defendida por boa parte dos nossos legisladores — deputados federais e senadores. A mesma encontra-se sob a apreciação dos nossos congressistas e em vias de ser aprovada.
Por mais paradoxal que possa parecer**,** a referida proposta só será aprovada se vier a contar com a maioria dos nossos congressistas. Mas acontece que eles só trabalham quatro dias por semana e, quando impossibilitados de se fazerem presentes, basta que apresentem as mais variadas justificativas, e praticamente nenhum deles é prejudicado. Em síntese: os nossos congressistas trabalham numa escala do tipo 4×3.
Se aprovada — e tudo nos leva a crer que será —, certamente a nossa economia terá que se adequar à nova realidade, a exemplo do que aconteceu quando do fim da escala 7×0. Porém, de uma coisa tenhamos certeza absoluta: o nosso país não entrará em bancarrota.
Se a libertação dos nossos escravos foi antecedida por várias outras providências (entre elas, a lei que proibia a importação de escravos, a Lei do Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários), caso a escala 5×2 seja aprovada, não tardará para que a nossa economia venha a se adequar à nova ordem.
De mais a mais**,** o fato é: antes mesmo que a nova escala seja aprovada, milhões de trabalhadores já exercem seus ofícios à distância — em particular, nas suas próprias residências —, e isto para deleite de si mesmos e de suas próprias famílias.
A escala 5×2 é fruto de várias consequências, em particular, das modernizações das nossas fontes de produção; entre elas, aquelas que exigiam centenas de pessoas para produzir o que, presentemente, uma única máquina, conduzida por uma única pessoa, é capaz de produzir.
Nos nossos maiores campos produtores de soja e café, os mais presentes nas nossas exportações e, sobretudo, importantíssimos para a nossa balança comercial**,** vamos encontrar uma máquina conduzida por uma única pessoa, sem o menor prejuízo aos próprios produtores.
Quem é contra a escala 5×2 não pode se calar diante da escala 4×3.

