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Em Genebra, Lula cobra investimentos de países ricos e defende nova ordem econômica após Cúpula do G7

Publicado em 18/06/2026

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Por Alessandra Karoline

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou, nesta quarta-feira (17), um balanço de sua participação na Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Em entrevista coletiva na Suíça, o mandatário brasileiro destacou que o principal eixo dos debates foram os desequilíbrios globais e defendeu uma reformulação nas relações comerciais entre as nações desenvolvidas e o Sul Global.

A cidade de Évian-les-Bains carrega um histórico simbólico para a diplomacia brasileira: em 2003, no seu primeiro mandato, Lula tornou-se o primeiro presidente do Brasil a comparecer a uma cúpula do grupo (à época, G8) no mesmo local.

Um dos pontos centrais do discurso do presidente foi a exploração de terras raras e minerais críticos. Lula sinalizou abertura para parcerias com o capital estrangeiro, mas impôs como condição inegociável a industrialização e a agregação de valor dentro dos países detentores das reservas, de modo a evitar a repetição de modelos coloniais de exploração.

Lula cobrou uma postura ativa das potências industrializadas na criação de novos mercados consumidores em regiões como a América Latina, África, Índia e China. Para o presidente, o crescimento econômico sustentável depende de geração de emprego e distribuição de renda a nível global.

No âmbito digital, o petista levou ao fórum internacional as iniciativas recentes do Brasil voltadas à proteção de menores, citando a proibição do uso de telefones celulares em escolas e o chamado “ECA digital”, voltado à regulação do ambiente virtual para jovens e adolescentes.

Brasil endossa três declarações conjuntas do bloco

Ao término da cúpula, que contou com três sessões de debates focadas em solidariedade internacional, crescimento compartilhado e o uso seguro da Inteligência Artificial, o G7 emitiu oito declarações conjuntas. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil endossou formalmente três desses textos:

Segurança digital para menores: Alinhada aos debates legislativos em curso no Brasil.

Combate ao câncer: Cooperação internacional na área da saúde.

Combate ao narcotráfico: Considerada pauta prioritária e de segurança regional para o governo brasileiro.

Agenda bilateral e avanços comerciais com Japão e EFTA

Paralelamente às reuniões do bloco, Lula cumpriu uma intensa agenda de encontros bilaterais com lideranças como Emmanuel Macron (França), Volodymyr Zelensky (Ucrânia), Abdel Fattah El-Sisi (Egito), além de representantes da União Europeia.

O chanceler Mauro Vieira destacou como ponto alto o encontro com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, onde ficou acertado o lançamento oficial das negociações para um acordo comercial entre o Japão e o Mercosul, previsto para o próximo dia 30 de junho, em Assunção, no Paraguai.

Outro avanço comemorado pela comitiva brasileira foi o andamento do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o EFTA (bloco composto por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein). Na mesma tarde em que Lula cumpria agenda oficial, o Legislativo Suíço aprovou o tratado por ampla maioria. No Brasil, o texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada e segue em tramitação acelerada no Senado Federal.

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