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Economia do Acre deve crescer acima da média nacional no biênio 2026-2027, projeta Santander

Publicado em 03/07/2026

Foto: Assessoria

Por Alessandra Karoline

A economia do Acre deve manter um ritmo de crescimento robusto nos próximos anos, superando a média nacional. É o que aponta um estudo recente do Departamento Econômico do Santander para o biênio 2026-2027. Segundo as projeções, o Produto Interno Bruto (PIB) acreano deve registrar uma alta de 2,8% em 2026 e de 2,2% em 2027, após uma estimativa de fechamento de 2,9% em 2025.

Embora o cenário indique uma leve moderação no ritmo de crescimento, os números do estado são altamente favoráveis quando comparados às projeções para o PIB do Brasil, que preveem avanço de apenas 1,8% em 2026 e 1% em 2027. O levantamento do banco utilizou dados históricos do IBGE até 2023 e traçou estimativas para o período de 2024 a 2027.

O setor de serviços surge como um dos grandes destaques da economia acreana. Para 2026, a projeção de crescimento do setor no estado é de 2,8%, passando para 2,1% em 2027. O desempenho fica bem acima da média nacional de crescimento para o setor, estimada em 2% e 1%, respectivamente.

O varejo também começou o ano de 2026 em aceleração, superando a tendência de estabilidade vista ao longo de 2025. De acordo com Henrique Danyi, economista do Santander, o Acre lidera essa reação na Região Norte ao lado do Amazonas e de Roraima.

“Atribuímos este comportamento à dinâmica favorável do emprego e da renda, além da nova rodada de impulso fiscal no período”, explica Danyi.

O comportamento acima da média do país também se reflete nos outros dois pilares da economia local:

Agropecuária: O Acre deve se consolidar com um dos maiores crescimentos percentuais do setor na Região Norte. O Santander projeta uma elevação de 2,6% para este ano e 2,5% para 2027. Em contrapartida, a média nacional para o setor deve patinar, com previsão de 0% em 2026 e 1% em 2027.

Indústria: O setor industrial acreano apresenta um cenário misto. Por um lado, bate com folga a média nacional (projeção de alta de 3,1% em 2026 e 3% em 2027, contra 1,7% e 1,5% do Brasil). Por outro, fica ligeiramente abaixo da média da própria Região Norte, que prevê expansão de 3,5% e 3,2% no mesmo período.

Comparativo de Projeções de Crescimento (2026-2027)

Indicador / Região PIB 2026 PIB 2027 Agro 2026 Agro 2027
Acre 2,8% 2,2% 2,6% 2,5%
Região Norte 2,4% 2,1%
Média Brasil 1,8% 1,0% 0,0% 1,0%

Apesar dos ventos favoráveis, os economistas fazem um alerta importante para o futuro financeiro da região. Rodolfo Pavan, economista do Santander e um dos autores do estudo, ressalta que eventos climáticos extremos — especialmente a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño — continuam sendo os principais fatores de risco para o cenário projetado, devido ao impacto direto nas temperaturas e no regime de chuvas.

Para Pavan, o mapa econômico do país seguirá em expansão disseminada, mas o modelo de desenvolvimento deve mudar de patamar.

“O desafio à frente deixa de ser crescer mais rápido e passa a ser crescer com menos impulso cíclico, maior heterogeneidade regional e sensibilidade crescente a choques climáticos e financeiros”, conclui o economista.

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