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Desmatamento no Brasil cai 20% e atinge o menor nível em seis anos; Acre segue sob forte pressão ambiental, aponta MapBiomas

Publicado em 31/05/2026

 Foto: Uêslei Araújo/Sema

Por Redação

O Brasil registrou em 2025 a menor área desmatada dos últimos seis anos, consolidando uma tendência de queda na supressão de vegetação nativa em todos os seus biomas. Os dados foram revelados no novo Relatório Anual do Desmatamento, publicado na última quarta-feira (27) pelo MapBiomas, iniciativa que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia.

Pela primeira vez desde 2019, o índice anual do país ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares, totalizando 984,7 mil hectares devastados. O número representa uma redução de 20,6% em comparação a 2024. O Pantanal liderou o recuo proporcional, com uma expressiva queda de 48,4% na perda de cobertura vegetal (12.260 hectares no ano).

Acre se consolida como ponto central no monitoramento do desmatamento da Amazônia, aponta relatório

O estado do Acre segue no centro dos debates e das ações de conservação ambiental no país. De acordo com dados recentes de monitoramento, o estado se destaca nacionalmente, ao lado do Pará, por registrar uma das maiores quantidades de alertas de desmatamento validados dentro do bioma Amazônia.

A forte pressão territorial sobre o Acre é explicada, em grande parte, por sua localização geográfica estratégica. O estado integra a chamada região AMACRO — uma zona geopolítica e socioambiental de alta vulnerabilidade formada pela junção dos territórios do Amazonas, Acre e Rondônia. Devido ao avanço das fronteiras agrícolas e do desmatamento, a área é monitorada de perto por órgãos ambientais e relatórios técnicos.

Para conter o avanço da degradação, a atuação institucional local tem sido intensificada. O combate a crimes ambientais e a fiscalização em solo acreano contam com o protagonismo do IMAC (Instituto de Meio Ambiente do Acre), que atua diretamente na linha de frente para coibir atividades ilegais.

Tecnologia e rigor na validação dos dados

A precisão no diagnóstico do desmatamento no Acre é fruto de um complexo arranjo tecnológico. A perda de cobertura vegetal no estado é capturada por meio de sistemas de monitoramento mensal e anual amplamente reconhecidos, como o DETER e o PRODES, ambos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), além do SAD, desenvolvido pelo Imazon.

A metodologia aplicada aos dados do estado prima pelo rigor. Todos os alertas gerados passam por um processo minucioso de auditoria e filtragem. Essa etapa é crucial para descartar “falsos positivos” causados por cicatrizes de incêndios florestais — um fenômeno recorrente e severo na região amazônica —, garantindo que apenas as áreas efetivamente desmatadas por corte raso sejam contabilizadas.

Cenário nacional de queda histórica

Apesar do estado figurar entre os que mais geram alertas, o contexto geral traz um respiro para a agenda ambiental brasileira. O Acre agora se insere em um cenário nacional inédito: pela primeira vez na série histórica monitorada, a área total desmatada no Brasil ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares, registrando 984.794 hectares em 2025.

Esse resultado foi impulsionado pelo próprio bioma Amazônia, que apresentou uma tendência de queda superior a 20% nos índices de desmatamento em comparação ao ano anterior, sinalizando um avanço importante nas políticas de comando e controle na região.

Convergência com dados oficiais e o plano de ‘Desmatamento Zero’

As conclusões do relatório da sociedade civil convergem com as ferramentas oficiais de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O balanço histórico recente aponta que, na Amazônia, o desmatamento despencou 50% em 2025 quando comparado a 2022. No Cerrado, bioma sob forte pressão agrícola, o declínio foi de 32% no mesmo período de comparação.

O recuo nos indicadores ambientais é atribuído a um conjunto de medidas estratégicas coordenadas pelo governo federal, divididas em três pilares principais:

Planos de Ação (PPCDs): Pela primeira vez na história, o país conta com Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas específicos para todos os biomas brasileiros, com diretrizes traçadas até 2027.

Fiscalização em campo: Intensificação das operações lideradas pelo Ibama e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Paralelamente, o Ibama trabalha no cruzamento de dados para mapear detalhadamente quais supressões de vegetação possuem autorização legal e quais são clandestinas.

Restrições financeiras: O acesso ao crédito rural tornou-se uma ferramenta de indução ecológica. Atualmente, o financiamento de atividades que envolvam desmatamento ilegal é proibido, e produtores com propriedades embargadas são impedidos de tomar recursos em bancos públicos.

Regras mais rígidas a partir de 2027

O setor produtivo passará por critérios ainda mais rigorosos nos próximos anos. A partir de 2027, fazendeiros com propriedades acima de quatro módulos fiscais que realizarem qualquer tipo de supressão de vegetação serão obrigados a comprovar a estrita legalidade do ato para estarem aptos a receber linhas de crédito agrícola, transformando o financiamento em um motor de conformidade ambiental.

Fonte: Relatório Mapbiomas

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