Publicado em 12/06/2026
Foto: Assessoria
Por Alessandra Karoline
Tem início nesta sexta-feira (12 de junho) o 18º Circuito Junino de Rio Branco, um dos eventos mais aguardados do calendário cultural acreano. Realizado na Praça da Revolução, o festival deste ano consolida uma forte tendência dos arraiais contemporâneos: a fusão entre a dança tradicional e a profundidade da dramaturgia teatral.
Responsáveis por abrir a primeira noite de competições, as agremiações Amor Junino, Explode Coração e Matutos na Roça prometem espetáculos que transcendem as coreografias tradicionais, utilizando o tablado como espaço de resgate da memória coletiva e de manifestação social.
O evento é promovido pela Liga de Quadrilhas Juninas do Acre (Liquajac) em parceria com a Prefeitura de Rio Branco.

Amor Junino: Uma viagem nostálgica à infância de outrora
A primeira quadrilha a se apresentar será a Amor Junino, fundada em 2014. Após um período dhiato em suas atividades, a agremiação marca seu retorno ao circuito com o tema “Do Clique ao Pique”, propondo uma crítica lúdica ao isolamento social provocado pela dependência de tecnologias na era digital.
O espetáculo resgata o universo nostálgico das brincadeiras de rua — como pega-pega, esconde-esconde e cantigas de roda —, recriando a atmosfera dos quintais de antigamente. Visualmente, o grupo aposta em figurinos vibrantes inspirados no imaginário infantil. Até mesmo o tradicional casamento junino receberá uma roupagem fantasiosa, fazendo referências a clássicos literários como Alice no País das Maravilhas e o Sítio do Picapau Amarelo.
Explode Coração: As vozes esquecidas pela história oficial
Na sequência, a junina Explode Coração sobe ao tablado com o enredo “Era uma vez, um conto que a história não conta”. A proposta do grupo é dar protagonismo a personagens invisibilizados e a narrativas que ficaram de fora dos livros oficiais de história, mas que resistiram ao tempo por meio da tradição oral e do folclore.
Com uma produção visual imersiva e cenários imponentes, a agremiação pretende provocar o público a refletir sobre identidade cultural e pertencimento, questionando quem são os reais contadores da história e valorizando o imaginário popular que corre de geração em geração.
Matutos na Roça: Cultura popular no combate à violência doméstica
Encerrando a primeira noite do festival, a tradicional Matutos na Roça, oriunda do bairro Aeroporto Velho, traz uma das temáticas mais densas e urgentes da atualidade com o espetáculo “Hoje Eu Recebi Flores”. O grupo vai usar o tablado junino para denunciar a violência contra a mulher e o feminicídio.
O enredo narra a trajetória dramática da personagem Narraiane Duarte, que presencia as agressões sofridas pela mãe na infância e, na vida adulta, vê-se presa em um ciclo de violência semelhante às vésperas de seu casamento. O título faz referência direta ao comportamento cíclico de agressores que tentam se redimir enviando flores após episódios de abuso.
A encenação traz à tona elementos reais da rede de proteção, como a Lei Maria da Penha, o papel de apoio comunitário (representado pelas personagens “Três Marias”) e táticas reais de denúncia — como a simulação de um pedido de entrega de pizza para acionar a polícia. Mesmo com a forte carga dramática, a Matutos na Roça promete manter sua identidade histórica, desfilando com cerca de 90 componentes embalados pelos passos tradicionais que a tornaram uma das maiores campeãs do estado.
Abertura da Temporada
A primeira noite do 18º Circuito Junino evidencia o amadurecimento criativo do movimento junino no Acre. Ao colocar frente a frente o resgate da infância, a exaltação do folclore e o protesto social, as quadrilhas de Rio Branco demonstram que o São João se mantém como a mais viva e relevante expressão de identidade e reflexão da comunidade.

Fonte: Dry Alves, Ascom

