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Casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave disparam 36% no Acre e acendem alerta na saúde pública

Publicado em 18/06/2026

Foto: Divulgação

Por Redação

O avanço expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026 colocou a rede pública de saúde do Acre em situação de emergência. De acordo com o Boletim Epidemiológico nº 20, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) na última terça-feira (17), as notificações da doença deram um salto de 36,42% em comparação ao mesmo período do ano passado. O reflexo direto desse indicador é a forte pressão sobre os leitos de internação e a superlotação de hospitais em todo o estado.

Os dados consolidados entre as semanas epidemiológicas 1 e 22 deste ano revelam um total de 1.547 notificações de SRAG no Acre. No mesmo intervalo de 2025, o estado havia contabilizado 1.134 casos. Quando comparado a 2024 (1.211 registros), o crescimento atual chega a 27,75%.

Segundo a Sesacre, a curva de notificações começou a subir logo na segunda semana de janeiro. Após oscilar nos meses seguintes, o gráfico voltou a inclinar de forma consistente a partir da semana 19, mantendo uma tendência de alta preocupante até o início de junho (semana 22).

A atual crise sanitária é impulsionada pela circulação simultânea de três agentes patógenos: o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o Rinovírus e a Influenza A. Juntos, eles têm provocado um aumento severo de diagnósticos de pneumonia, bronquiolite e bronquite.

Embora a crise afete os dois extremos de idade, o impacto na comunidade infantil tem sido o principal fator de preocupação para as autoridades:

Faixa Etária Número de Internações (2026)
2 a 4 anos 331 casos
60 anos ou mais (Idosos) 291 casos
5 a 9 anos 289 casos
Menores de 2 anos 237 casos

Geograficamente, a crise se concentra nos maiores polos populacionais do Acre. A capital, Rio Branco, lidera o ranking com 629 notificações, seguida de perto por Cruzeiro do Sul, com 236. Municípios do interior como Marechal Thaumaturgo (136) e Feijó (125) também acendem o sinal de alerta.

Na linha de frente do atendimento, duas unidades de saúde concentram a maior carga de pacientes do estado:

Hospital Infantil Iolanda Costa e Silva (Rio Branco): 405 notificações de SRAG.

Hospital Regional do Juruá (Cruzeiro do Sul): 349 registros.

Mudança no perfil de mortalidade: O boletim da Sesacre acendeu um alerta vermelho ao apontar uma inversão histórica no perfil dos óbitos por SRAG. Enquanto a mortalidade entre idosos registrou queda, os bebês e crianças menores de dois anos somaram oito mortes confirmadas nos primeiros cinco meses de 2026 — o maior número para a faixa etária no triênio analisado. A Sesacre atribui a letalidade à agressividade do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) nessa faixa etária.

Diante do cenário crítico, a Sesacre emitiu uma série de orientações urgentes para conter o avanço da doença e mitigar o colapso na rede assistencial. Entre as medidas imediatas estão o reforço e monitoramento rigoroso dos leitos de enfermaria e de UTI pediátrica, com foco prioritário nos hospitais de referência de Rio Branco e do Juruá.

A pasta também reforça o apelo para que a população compareça aos postos de saúde, orientando a intensificação da vacinação contra a Influenza e a Covid-19 em crianças, idosos, gestantes e demais grupos prioritários. Outra estratégia recomendada é o fortalecimento do atendimento básico nos municípios do interior, evitando o deslocamento em massa e o consequente estrangulamento dos hospitais da capital.

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