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Arena do Corinthians deixa de pagar fornecedores atingida por liquidação da Reag, ligada a caso Master

Publicado em 31/01/2026

Jogadores se aquecem no gramado da Neo Quimica Arena antes de partida entre Corinthians e São Paulo – Marcelo Machado de Melo – 20.nov.2025/Reuters

  • Diretoria financeira do clube reconhece impacto nos repasses, mas diz que estádio segue com operações normais

  • Expectativa é anunciar em breve novo gestor do fundo Arena FII, que está bloqueado

André Borges e Lucas Marchesini | Folha de São Paulo

Brasília
A liquidação da gestora de fundos Reag Trust, decretada pelo Banco Central, provocou um efeito direto e imediato na engrenagem financeira que sustenta o estádio do Corinthians, a Neo Química Arena, em Itaquera.

As contas do Arena Fundo de Investimento Imobiliário, que era administrado pela Reag, deixaram de ser pagas há mais de duas semanas, travando os repasses a fornecedores ligados à operação do espaço.

Como mostrou a Folha, o fundo imobiliário (FII) estava sob administração da Reag Trust, que teve os bens bloqueados com a liquidação decretada pelo BC em 15 de janeiro.

Segundo a investigação conduzida pela Polícia Federal, a Reag fazia parte do esquema de fundos inflados artificialmente, ligados a operações do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

A informação foi confirmada à Folha pelo diretor financeiro do Corinthians, Emerson Piovesan. “O ponto sensível no momento, em razão da liquidação da Reag, é a impossibilidade de movimentação das contas do fundo, o que impacta temporariamente o pagamento de fornecedores desde o dia 14/01”, afirmou.

Ele não deu detalhes sobre a dimensão financeira da paralisação dos pagamentos e do número de fornecedores afetados.

Segundo o diretor financeiro do alvinegro, uma solução deve ser anunciada em breve, com a nomeação de um novo gestor do fundo da arena.

O martelo ainda não foi batido e Piovesan não citou um nome, mas tudo indica que o acordo deve ser fechado com o Grupo Planner, empresa que adquiriu a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (Ciabrasf), companhia de administração de fundos que pertencia à Reag.

“O clube está atuando de forma ativa para solucionar essa questão e, paralelamente, adotando todas as medidas necessárias para a substituição do gestor e do administrador do fundo”, disse ele.

O Arena FII foi estruturado para captar recursos com cotistas e, assim, bancar os custos de construção da arena. Em troca, ele detém os direitos econômicos do estádio e recebe para o pagamento da dívida com a obra, ao longo do tempo.

Na prática, portanto, o fundo é o titular jurídico da exploração econômica do espaço, o que inclui bilheteria de jogos, camarotes, cadeiras especiais, ingressos de temporada, eventos, publicidade, estacionamento e naming rights.

Nessa engrenagem, o Corinthians atua como o operador do negócio. O time vende ingressos, organiza partidas, administra restaurantes, tour e eventos, contrata serviços e paga despesas correntes. Com o dinheiro que recebe, repassa ao fundo, que depois remunera seus cotistas e paga os fornecedores.

Com a Reag fora de cena, o Arena FII está parado, sem ter quem assine por atos de gestão, autorize transferências ou faça pagamentos.

Apesar da falta de repasse aos fornecedores, o diretor afirma que o dia a dia da arena permanece mantido, com base em contratos vigentes. “Atualmente, a arena encontra-se em plena operação, não havendo, no horizonte do clube, qualquer cenário que indique a interrupção de suas atividades”, disse.

Ele também afirmou que não há impactos nas partidas do time profissional já programadas. “Toda a operação dos jogos é realizada pelo próprio clube, incluindo a arrecadação de bilheteria e o pagamento das respectivas despesas”, comentou.

No balanço mais recente do Arena FII, o fundo registra que tem valores altos em aberto, com R$ 99,6 milhões em “receitas operacionais a receber” do Sport Club Corinthians Paulista.

Os registros contábeis mostram que o repasse dos pagamentos não ocorre em tempo real. O clube arrecada, apura o que pertence ao fundo e repassa posteriormente. Quando esse repasse não acontece, o valor fica contabilizado como crédito do fundo. Dessa forma, o impacto direto recai mais sobre os cotistas do fundo do que sobre o clube.

No dia 16 de janeiro, o Corinthians declarou, por meio de nota, que, desde meados de agosto de 2025, após a deflagração da Operação Carbono Oculto e as investigações sobre a Reag, deu início a “tratativas para a substituição da administradora e da gestora do fundo, em conjunto com a Caixa Econômica Federal”.

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