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quarta-feira, 3 de junho de 2026
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Acre registra queda em homicídios em abril, mas tentativas de assassinato disparam quase 70%

Publicado em 03/06/2026

Foto: Reprodução

Por Redação

O Acre apresentou um cenário ambíguo na segurança pública durante o mês de abril de 2026. Houve uma redução no número de homicídios consumados na comparação com o mês anterior, mas, por outro lado, as tentativas de homicídio registraram uma forte alta. Os dados constam no Relatório Mensal Sintético de Mortes Violentas Intencionais (MVI), divulgado pela Polícia Civil do Acre nesta quarta-feira (3).

De acordo com o balanço, o estado contabilizou 12 homicídios em abril, uma queda de 14,29% em relação aos 14 casos registrados em março. Apesar do recuo mensal, o indicador acende o sinal de alerta quando comparado a abril de 2025, quando houve 8 assassinatos — o que representa um aumento anual de 50%. Com esses resultados, o Acre acumula 52 homicídios no primeiro quadrimestre de 2026.

As tentativas de homicídio, contudo, seguiram na direção oposta e dispararam. Foram 27 registros em abril contra 24 em março (alta de 12,5%). No comparativo com abril do ano passado, o salto foi de 68,75%, quando o estado havia computado 16 ocorrências. No acumulado do ano, o total de tentativas de assassinato já chega a 91 casos.

Capital é o epicentro da violência

A distribuição geográfica dos crimes de sangue aponta uma forte concentração na Região Metropolitana de Rio Branco. Dos 12 homicídios consumados, 7 ocorreram na capital acreana.

Abaixo, veja a distribuição dos crimes consumados e tentados pelas regionais e municípios do estado:

Localidade (Município) Homicídios Consumados Tentativas de Homicídio
Rio Branco 7 15
Mâncio Lima 3 0
Cruzeiro do Sul 1 1
Epitaciolândia 1 1
Rodrigues Alves 0 2
Outros municípios do interior* 0 8
TOTAL ESTADUAL 12 27

*Nota: Os municípios de Brasiléia, Bujari, Manoel Urbano, Sena Madureira e Tarauacá registraram uma tentativa de homicídio cada.

As regionais do Alto Acre e de Tarauacá/Envira fecharam o mês de abril sem registrar nenhum homicídio consumado.

Facções motivam a maioria dos ataques

As investigações preliminares da Polícia Civil revelam o peso do crime organizado na estatística de letalidade do estado. Do total de assassinatos em abril, 59% (7 casos) foram execuções sumárias ligadas à atuação de facções criminosas. Outros 4 casos (33%) seguem sob apuração e 1 crime (8%) foi motivado por futilidade após o consumo de bebidas alcoólicas.

As armas de fogo continuam sendo o principal meio empregado pelos criminosos:

Nos homicídios: Foram utilizadas em 75% dos casos (9 mortes), enquanto a arma branca foi usada em 25% (3 mortes).

Nas tentativas: Estiveram presentes em 59% das ocorrências (16 casos), seguidas por armas brancas com 33% (9 casos) e outros meios com 8% (2 casos).

O levantamento da Polícia Civil traçou o perfil demográfico das vítimas da violência no mês de abril. No caso dos homicídios consumados, a totalidade das vítimas foi de homens (100%) da cor parda. A faixa etária mais vulnerável foi a de jovens entre 18 e 24 anos, que concentrou 3 das 12 mortes registradas. Os grupos de 25 a 29 anos, 35 a 39 anos, 45 a 49 anos e idosos acima de 60 anos registraram duas mortes cada.

Nas tentativas de homicídio, os homens também foram a maioria esmagadora das vítimas (89%), acompanhados por 11% de vítimas do sexo feminino. A maioria dos sobreviventes também foi identificada como parda (67%), com maior incidência na faixa etária de 25 a 29 anos, que somou 8 registros.

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