Publicado em 03/06/2026
1. Siderurgia e Metalurgia (Aço e Ferro)
O mercado siderúrgico nacional tem nos Estados Unidos um de seus principais destinos históricos. A aplicação de uma barreira tarifária de 25% reduz drasticamente a competitividade do aço bruto e dos produtos metalúrgicos brasileiros perante concorrentes globais, afetando diretamente grandes usinas e gerando temores de cortes na produção interna.
2. Setor Automotivo (Veículos e Autopeças)
A cadeia de suprimentos automotivos do Brasil exporta anualmente um volume expressivo de peças, componentes estruturais e motores para montadoras americanas. Especialistas apontam que a sobretaxa deve encarecer o produto nacional, forçando os compradores a buscar fornecedores alternativos em países livres de sanções.
3. Maquinários e Equipamentos Industriais
A indústria de bens de capital — representada por máquinas pesadas, motores elétricos e equipamentos industriais de alta tecnologia — será duramente golpeada. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) já participa ativamente de frentes de negociação para tentar mitigar os efeitos da nova política tarifária de Washington.
4. Celulose e Papel
O Brasil figura como um dos gigantes globais na produção de celulose de fibra curta, matéria-prima essencial para a fabricação de papéis e tecidos descartáveis de higiene nos EUA. A inclusão do setor na mira tarifária ameaça as margens de lucro das maiores exportadoras do país.
5. Carne Bovina (In natura e Processada)
Apesar das restrições e das cotas já existentes, os frigoríficos brasileiros conquistaram espaço relevante nas gôndolas e na indústria de alimentos norte-americana nos últimos anos. Uma tarifa dessa magnitude inviabilizaria economicamente parte dos envios, provocando um potencial redirecionamento do excedente de carne para outros mercados mundiais.
6. Setor Calçadista
Tradicionais polos produtores de calçados do Brasil, localizados no Rio Grande do Sul e em Franca (SP), enfrentam o fantasma da perda de mercado. Os calçados de couro brasileiros, conhecidos internacionalmente, terão dificuldades para concorrer com a produção asiática se os preços subirem repentinamente 25% na ponta final americana.
7. Aeronaves e Componentes de Aviação
A indústria aeronáutica brasileira, que tem na Embraer seu principal expoente, monitora a situação com lupa. Embora alguns acordos internacionais busquem proteger o trânsito de tecnologias de defesa e transporte civil, componentes e peças sobressalentes produzidas em solo brasileiro correm o risco de sofrer forte impacto nos custos contratuais de exportação.
8. Café (Solúvel e Industrializado)
Ainda que o café verde em grão seja um produto de difícil substituição imediata, as variantes industrializadas (como o café solúvel, torrado ou em cápsulas preparado no Brasil) devem enfrentar duras barreiras adicionais, prejudicando o plano de agroindústrias brasileiras de agregar valor ao produto exportado.
9. Produtos Químicos e Plásticos
A indústria petroquímica nacional exporta uma gama variada de polímeros, resinas e compostos químicos plásticos para o mercado corporativo dos Estados Unidos. Sem as facilidades comerciais anteriores, esses insumos perderão espaço no mercado fabril norte-americano.
10. Madeira e Derivados (Móveis e Painéis)
O setor de madeira processada, compensados e móveis acabados, muito forte nas exportações vindas das regiões Sul e Norte do país para o mercado imobiliário e de construção civil dos EUA, completa a lista dos mais vulneráveis ao novo “tarifaço”.
Corrida diplomática e jurídica
O cenário desenhado para o restante de 2026 assemelha-se a crises comerciais anteriores, exigindo uma forte contraofensiva do governo brasileiro. Juristas especializados em direito internacional já apontam fragilidades nas alegações técnicas feitas pelos escritórios de comércio americanos para sustentar a retaliação, o que pode dar margem a uma disputa formal perante a Organização Mundial do Comércio (OMC).Enquanto o prazo de consultas públicas segue aberto nos Estados Unidos, as frentes parlamentares e as confederações da indústria buscam uma saída negociada para evitar que os dez setores citados sofram perdas bilionárias e ondas de demissões em solo brasileiro.

