23.3 C
Rio Branco
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
O RIO BRANCO
Política

A conta do almoço grátis chega cedo ou tarde

Publicado em 22/12/2024
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Adriano Machado - 28.nov.24/Reuters

Apenas se abandonar gastança Lula terá condições de concluir seu mandato sem pôr em risco a estabilidade macroeconômica

Chegou a fatura da irresponsabilidade orçamentária de Luiz Inácio Lula da Siva (PT). Ela contém tumulto financeiro, câmbio e juros em cavalgada e inflação rumando para níveis preocupantes.

Para pagá-la, há o caminho organizado e o caótico, a depender da escolha do presidente da República.
No primeiro, minimizam-se custos para a sociedade. O segundo é a rota corrente, que produzirá desastres.
Desde que foi eleito, Lula praticou o ideário, derrotado pela história, de que o progresso decorre da expansão ilimitada do Estado, a teoria do almoço grátis.

A opção pela gastança, escancarada na emenda de transição de governo que expandiu a despesa federal em R$ 150 bilhões, sempre tem fôlego curto. Na sequência colhem-se “mais inflação, juros e endividamento”, como alertou, sob severa crítica, esta Folha em dezembro de 2022. Ao final, a receita insustentável acabará por impactar negativamente o emprego.

Para a sorte de Lula, os legisladores que aprovaram a autonomia do Banco Central em 2021 não pensavam como ele. A ação firme da autoridade monetária contra-arrestou a incontinência do Planalto e evitou que a inflação saísse do controle por quase dois anos.

A elevação da Selic não justifica regozijo, mas é melhor que a hiperinflação e seus efeitos devastadores sobre a renda, sobretudo da parcela mais pobre dos brasileiros.

A degradação das perspectivas para a dívida pública chegou a tal ponto, porém, que os instrumentos da autoridade monetária mostram-se insuficientes.

O choque recente nos juros básicos, que os projetou para asfixiantes 14,25% ao ano em março, não estancou a sangria. O dólar e os juros da praça dispararam para alturas imprevistas, disseminando estragos e prejuízos ainda mal contabilizados.

A economia caminha para um cavalo de pau se não houver freio de arrumação urgente na política fiscal. A velha artimanha de Lula de acusar um complô de operadores financeiros pela situação terá pouca serventia.

A condição de devedor contumaz do Tesouro Nacional foi acentuada. Sem tomar vultosos e frequentes empréstimos, a máquina pública entra em colapso.

Para a virada de perspectivas, o pacote enfraquecido pelo Congresso não será o bastante. A poupança para impedir o descalabro da dívida requer mecanismos bem mais persistentes e valores muito mais significativos, o que é impossível sem redução de despesas.

Lula ainda pode decidir o desfecho da economia, embora a margem para erros esteja se estreitando.
Encapsular-se na teoria do almoço grátis vai conduzi-lo para um fiasco parecido com o de Dilma Rousseff, o que seria uma pena, pois em quase todos os outros setores o governo atual supera o de Jair Bolsonaro (PL).

Se tiver a coragem para mudar de rumos diante de riscos palpáveis de ruína, o presidente terá condições de concluir seu terceiro mandato sem comprometer a estabilidade macroeconômica, a conquista mais cara à sociedade brasileira nos últimos 30 anos.

*Com informações Folha UOL

Compartilhe:

Artigos Relacionados

Presa na Itália, Carla Zambelli renuncia ao mandato de deputada federal

Raimundo Souza

Planalto acompanha situação de Bolsonaro, mas preocupação está no tarifaço

Raimundo Souza

Kassio interrompe julgamento de Zambelli; STF tem 4 votos para condenação e perda de mandato

Jamile Romano

Tanízio Sá desiste de disputar presidência do MDB no Acre, e Vagner Sales deve ser escolhido por consenso

Kevin Souza

Saída de Dino da Justiça deixará 47 convocações na Câmara em aberto

Jamile Romano

Na véspera de tarifaço de Trump, Senado aprova PL da Reciprocidade

Jamile Romano