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Liderança Ashaninka Benki Piyãko recebe o Prêmio Niwano da Paz no Japão

Publicado em 13/05/2026

Foto: Reprodução

Por Redação

Em uma cerimônia histórica realizada na Casa Internacional do Japão, a liderança espiritual e ambientalista acreana Benki Piyãko recebeu, nesta terça-feira (12), o 43º Prêmio Niwano da Paz. Uma das mais prestigiadas honrarias internacionais voltadas à cooperação entre povos e à dignidade humana, o prêmio consagra a trajetória de Piyãko na defesa da floresta amazônica e no fortalecimento das culturas indígenas.

Nascido em Marechal Thaumaturgo, no Alto Juruá, Benki é presidente do Instituto Yorenka Tasorentsi e uma das vozes mais respeitadas do povo Ashaninka. O reconhecimento foi entregue por Munehiro Niwano, presidente da Fundação Niwano da Paz, que destacou o papel do líder na restauração de áreas degradadas e no diálogo entre o conhecimento ancestral e o mundo contemporâneo.

A trajetória de Benki é indissociável da luta da comunidade Apiwtxa. Desde a década de 1980, ele atua no enfrentamento à exploração ilegal de madeira e na demarcação da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia. Para a liderança, a paz global está diretamente ligada à saúde dos ecossistemas.

Linhagem de Defensores dos Direitos Humanos

Ao receber o galardão, Benki Piyãko coloca a Amazônia profunda em um seleto grupo de reconhecimento internacional. Nos últimos 40 anos, apenas outros dois brasileiros haviam recebido o Prêmio Niwano da Paz: Dom Hélder Câmara e Dom Paulo Evaristo Arns.

A inclusão de uma liderança indígena nesta linhagem de defensores dos direitos humanos desloca o olhar do planeta para a necessidade urgente de proteção dos territórios originários como condição para o equilíbrio climático global.

Através do Instituto Yorenka Tasorentsi e do Centro Yorenka Ãtame, Benki tem implementado sistemas agroflorestais que transformaram áreas exauridas em pomares de biodiversidade. As iniciativas focam em:

Recuperação Ambiental: Plantio de espécies nativas e frutíferas em áreas feridas pela exploração predatória.

Educação e Formação: Capacitação de jovens indígenas e não indígenas em tecnologias de sustentabilidade.

Soberania Alimentar: Fortalecimento da autonomia das comunidades através do cultivo tradicional.

Mensagem Global

Para o Instituto Yorenka Tasorentsi, a premiação é um momento de celebração, mas também de alerta. Em meio ao avanço das queimadas e da grilagem na região amazônica, a escolha de Benki Piyãko pelo comitê japonês reafirma que a proteção da cultura indígena é a barreira mais eficaz contra a destruição da vida.

A cerimônia em Tóquio encerra-se com uma mensagem clara: a Amazônia não é apenas uma estatística em relatórios de crise climática, mas um território vivo, com rostos, línguas e uma espiritualidade que clama por respeito e permanência.

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