Publicado em 12/05/2026
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Por Redação
A sessão da Câmara Municipal de Rio Branco realizada nesta terça-feira, 12, foi marcada por uma série de críticas direcionadas ao presidente da Casa, vereador Joabe Lira (UB). Parlamentares usaram a tribuna para questionar a condução administrativa e política do Legislativo, além de apontarem supostos descumprimentos de acordos internos.
O estopim da crise ocorreu após o vereador Bruno Moraes (PP) reclamar do cancelamento de sua viagem ao Rio de Janeiro, onde participaria do V Congresso Internacional sobre Encarceramento Feminino da Elas Existem, programado para ocorrer entre os dias 13 e 15 de maio de 2026.
Durante seu pronunciamento, Bruno Moraes afirmou que os problemas com a presidência vêm se acumulando desde o início da legislatura e acusou Joabe Lira de desgastar a imagem da Câmara Municipal. “Essa indignação vem desde o primeiro mês. Ele não vem sendo o presidente da Câmara, vem desmoralizando a Casa e conduzindo os trabalhos de forma desastrosa”, declarou.
O parlamentar também acusou Joabe de desautorizar decisões tomadas pelo vice-presidente da Câmara durante períodos de ausência da presidência. “Ele desautorizou um ato do vice-presidente, que estava respondendo como presidente, e ainda descumpriu acordos firmados com vereadores. Não o reconheço mais como presidente”, afirmou.
Bruno Moraes ainda mencionou a demora para a posse do vereador Hildegard Pascoal, que assumiu a vaga deixada por João Paulo Silva. Segundo ele, o processo teria sido atrasado devido à ausência de Joabe Lira. “O Leôncio teve que enfrentar a situação para garantir que o vereador Hildegard assumisse”, disse.
O líder do prefeito na Câmara, vereador Márcio Mustafá (PSDB), também criticou a postura do presidente do Legislativo e afirmou que Joabe pode ficar marcado negativamente na história da Casa. “Nosso presidente é conhecido por não cumprir compromissos”, disparou.
O vice-presidente da Câmara, vereador Leôncio Castro (PSDB), reforçou as críticas e afirmou que decisões tomadas por ele enquanto ocupa interinamente a presidência acabam sendo posteriormente revertidas por Joabe Lira.
Segundo Leôncio, também houve resistência por parte da equipe da presidência quanto à posse de Hildegard Pascoal, mesmo após semanas de espera.
Já o vereador Raimundo Neném (PL) saiu em defesa de Bruno Moraes e acusou a presidência de privilegiar aliados políticos na autorização de viagens oficiais. “Vereador que ele não gosta e não tem simpatia, não viaja”, declarou.
Os vereadores Joaquim Florêncio, Lucilene Vale e Antônio Moraes também manifestaram apoio às críticas feitas durante a sessão.
Defesa de Joabe Lira
Ao responder às críticas, Joabe Lira minimizou os ataques e afirmou que as reclamações partem apenas de uma parcela reduzida dos parlamentares. “Na verdade, é uma pequena parte”, declarou.
O presidente justificou a suspensão de viagens oficiais alegando dificuldades financeiras enfrentadas pela Câmara Municipal. Segundo ele, a atual gestão herdou problemas administrativos da presidência anterior, comandada por Raimundo Neném.
“Pegamos essa Casa com muitas dificuldades financeiras e tivemos que conter gastos. Eu, como presidente, viajei apenas uma vez durante esse um ano e meio”, afirmou.
Joabe também destacou que a prioridade da gestão é manter o funcionamento da Câmara com responsabilidade no uso dos recursos públicos. “O dinheiro é público e devemos sempre agir com cautela nesses gastos”, disse.
Sobre as acusações de favorecimento político, o presidente negou privilégios e afirmou que existia um acordo interno limitando uma viagem anual por vereador. “As viagens foram acordadas para que cada vereador viajasse apenas uma vez por ano. Muitos abriram mão, assim como eu também fiz”, argumentou.

