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terça-feira, 5 de maio de 2026
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Higiene das mãos: OMS alerta para risco de infecções e reforça impacto vital de gesto simples

Publicado em 05/05/2026

Foto: Reprodução

Por Redação

Nesta terça-feira, 5 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) marca a data reforçando a campanha global “Salve Vidas: Higienize suas mãos”, uma iniciativa que completa 20 anos de atuação estratégica no combate a infecções evitáveis. Pode parecer um gesto trivial, mas a higienização correta das mãos permanece como uma das ferramentas mais poderosas e eficazes para salvar vidas, tanto no cotidiano quanto dentro das unidades de saúde.

Segundo a entidade, a prática correta pode reduzir em até 40% o risco de contrair doenças infecciosas comuns, como gripe, diarreia e conjuntivite. Contudo, o cenário global ainda é de alerta: a OMS projeta até 3,5 milhões de mortes anuais causadas por infecções que poderiam ser evitadas até 2050, caso as medidas de prevenção não sejam rigorosamente seguidas.

Foto: Reprodução

Apesar da simplicidade da prevenção, as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) seguem como um obstáculo crítico para a segurança do paciente. Dados da OMS indicam que até 30% dos pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) podem ser acometidos por essas infecções. O cenário é ainda mais grave em países de baixa e média renda, onde o risco pode ser 20 vezes maior, atingindo uma taxa de 15 infecções a cada 100 pacientes internados.

No Brasil, os dados mais recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2024, indicam uma melhora nos indicadores, mas o risco permanece elevado. O relatório aponta que a maioria das infecções de corrente sanguínea ocorre dentro das UTIs, com densidade de incidência de 3,5 casos por mil cateter venoso central-dia. Em UTIs neonatais, o número sobe para 6,1 casos. Além disso, a pneumonia associada à ventilação mecânica surge como uma das IRAS mais frequentes, com taxas que podem atingir 9,4 casos por mil ventilação mecânica-dia.

Impacto econômico e resistência bacteriana

Além do custo humano incalculável, as infecções geram um pesado fardo financeiro para os sistemas de saúde globais. No Brasil, pacientes acometidos por IRAS têm custos hospitalares até 55% maiores. Internacionalmente, o prejuízo é bilionário: mais de US$ 40 bilhões por ano nos Estados Unidos e € 7 bilhões na Europa.

Outro ponto de preocupação é o uso indiscriminado de antibióticos, que tem acelerado a resistência bacteriana. De acordo com a infectologista e consultora da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Dra. Cláudia Vidal, o cenário é crítico. “O uso inadequado de antibióticos pode implicar em resistência bacteriana, maior risco de efeitos colaterais e gerar custos desnecessários para o sistema de saúde”, alerta. A estimativa da OMS é aterradora: se medidas não forem tomadas, infecções resistentes podem causar 10 milhões de mortes por ano até 2050.

Brasil: entre avanços e fragilidades

Embora haja progresso, o Brasil enfrenta desafios na implementação de programas estruturados para o uso racional de medicamentos. Segundo a Anvisa, apenas 52,7% dos 153 serviços de saúde analisados possuem um Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos implantado.

Por outro lado, o monitoramento dentro das UTIs brasileiras apresenta resultados mais robustos. Cerca de 95,6% das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar acompanham o uso de antibióticos em UTIs adultas, enquanto o índice chega a 82,8% nas unidades pediátricas.

Para a Dra. Cláudia Vidal, a saída passa pelo fortalecimento constante das barreiras preventivas. “Fortalecer as medidas de prevenção de infecções é imprescindível, em especial a higiene das mãos de forma adequada e oportuna, estratégias fundamentais para proteger os pacientes e salvar vidas”, conclui a especialista.

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