Publicado em 02/05/2026
Neymar sonha em voltar à seleção brasileira para disputar a Copa do Mundo Foto: Vitor Silva/CBF
Conselhos para conversas com Ancelotti e a diretoria da seleção ganham força, enquanto dúvidas físicas e de ambiente ainda pesam na decisão
Por Marcel Rizzo | Estadão
‘Eu arriscaria levar Neymar para a Copa’, diz técnico que lançou o atacante
Carreira de Neymar se liga à de Márcio Fernandes. Em duas oportunidades, treinador promoveu atacante, que virou a estrela de uma geração do futebol brasileiro. Crédito: TV Estadão
Neymar pode estar a uma ou duas ligações de ser convocado para a Copa do Mundo 2026. Pessoas próximas já o aconselharam a conversar não só com Carlo Ancelotti, se comprometendo a aceitar o banco, se for o caso, mas também com o diretor de seleções da CBF, Rodrigo Caetano, que tem participação ativa na lista final e foi responsável por todo o planejamento de um ambiente sem estresse para o elenco durante o Mundial.
O camisa 10 finalmente conseguiu uma sequência de jogos, algo que pouco teve em tempos recentes. Nos seis últimos confrontos do Santos, ele esteve presente em cinco, sem apresentar, pelo menos visivelmente, problemas físicos.
Como o próprio Neymar disse, ele não será aquele atacante de dez anos atrás. Talvez nem esteja perto daquele jogador que, em outubro de 2023, sofreu grave lesão no joelho atuando pela seleção e perdeu vários meses em recuperação.
Quem lembra do craque que brilhou por Santos, Barcelona, PSG e Brasil, desconfia ao vê-lo em campo. Faltam a velocidade e o arranque conhecidos, em contrapartida o controle de carga diminuiu. Há pouco mais de duas semanas para Carlo Ancelotti anunciar os 26 eleitos para viajar à América do Norte, em 18 de maio, a estratégia do estafe do atleta tem de ser um pouco mais arriscada.
Carletto e sua comissão técnica têm mais minutos, associados a testes enviados pelos profissionais santistas, para analisar se o jogador pode ter atingido um nível físico e técnico que consideram ideal para uma convocação. Mas, se Neymar estiver perto da nota de corte de Ancelotti, isso significa que pode ser chamado, ainda mais agora que Estêvão se lesionou gravemente e não deve ser convocado? Não é bem assim.
Há o fator de campo e o fator extracampo. Fora dele, surgem preocupações de que, por exemplo, ele não aceite a reserva. A pessoas próximas, Ancelotti já disse, sem citar o camisa 10 santista, que é difícil deixar craques no banco porque, em algum momento, isso gera turbulência dentro de um grupo. Na seleção, boa parte do elenco quer ter Neymar nos Estados Unidos, e uma pressão interna não seria improvável.
Existe também o combo que o santista leva aos eventos: parças, pai e influenciadores, que aumentariam o lobby pela presença do atacante em campo e poderiam desestabilizar o ambiente de tranquilidade que a CBF buscou ao escolher como base um hotel que será fechado para a delegação, em Nova Jersey. Permanece a lembrança de que, em 2018, na apresentação antes da Copa da Rússia, em Teresópolis, Neymar chegou de helicóptero, uma distração que a diretoria da CBF não quer para 2026.

