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segunda-feira, 27 de abril de 2026
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Diferença salarial entre homens e mulheres persiste, mas contratação feminina aumenta 11%

Publicado em 27/04/2026

SÃO PAULO – A diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil é de 21,3% nas 53,5
mil empresas com mais de cem funcionários, segundo o 5º Relatório de
Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, do MTE (Ministério do Trabalho
e Emprego).
Apesar de a desigualdade se manter estável —de cerca de 20%—, a contratação feminina
cresceu 11% desde 2023, quando os dados começaram a ser medidos após a publicação
da Lei da Igualdade Salarial, em julho daquele ano.
A remuneração média das mulheres é de R$ 3.965,94, enquanto dos homens chega a R$
5.039,68.
Segundo o relatório, em 2023, as mulheres recebiam, em média, 20,7% menos do que os
homens. Esse cenário teve uma leve piora, chegando a 21,3% em abril deste ano, mas
estável ante novembro de 2025, quando a diferença estava em 21,2% Hoje, as mulheres
recebem, em média, 78,7% do salário dos homens.

Um dos destaques do estudo é o aumento expressivo da presença feminina no emprego
formal. O número de mulheres ocupadas passou de 7,2 milhões para 8 milhões, uma alta
de 800 mil trabalhadoras com emprego formal entre 2023 e 2026.
Entre mulheres negras —pretas e pardas—, o crescimento foi ainda maior, de 29%,
saltando de 3,2 milhões para 4,2 milhões de vínculos entre 2023 e 2026, com mais 1
milhão de novas trabalhadoras.
Também cresceu o número de estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres
negras, que chegou a 21.759 unidades, alta de 3,6% em relação ao relatório anterior.

Para Paula Montagner, subsecretária de estatísticas e estudos do Trabalho do MTE, a
variação negativa de apenas 0,6 pontos percentuais é muito pequena frente ao
contingente analisado, já que o número de mulheres contratadas subiu, o rendimento
subiu e o número de empresas com cem ou mais funcionários também aumentou.
“O rendimento se moveu de forma positiva, assim como o total de mulheres contratadas
para cargos de gerência e direção”, diz.
Segundo ela, a massa de rendimentos das mulheres subiu de 33,7% para 35,2%, mas,
mesmo assim, para alcançar a participação equivalente à presença masculina no
emprego, hoje em 41,4%, seria necessário uma alta de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos
totais.
“O rendimento dos homens continuou a aumentar, pelo maior tempo de empresa, o que
faz essa corrida quase impossível, porque se este for o critério usado nas promoções, os
que estão há mais tempo na empresa vão receber mais, mesmo que o desempenho seja
similar”, diz.
“O que se espera é que esse efeito diminua se a economia e os salários continuarem a
crescer”, afirma ela.

A distância salarial se ampliou em faixas específicas de tamanho de empresa. Nas
empresas de 251 a 500 empregados, a remuneração caiu de 82,2% para 80,9%. Nas
empresas de 1.001 a 2.000 empregados, a queda foi de 76,5% para 75,2%.
Paula acredita que a promoção de mudanças nas empresas também esbarre em custos
para empregadores. “Aumentar a massa de 10,6%, teria impacto no consumo das
famílias e diminuiria a diferença de rendimentos entre homens e mulheres, mas isso
representa custo para as empresas, o que as torna mais resistentes a promover estas
mudanças.”
O relatório também aponta avanços em políticas internas das empresas. Houve aumento
na jornada flexível de 40,6% para 53,9% das empresas oferecendo essa opção, e auxíliocreche sendo oferecido em 38,4% das companhias ante 22,9% do início da série.

Outro ponto celebrados é o aumento do total de empresas com licenças maternidade e
paternidade estendida, que saltou de 20% das companhias para 29,9%, além da oferta
de planos de cargos e salários, que subiu de 55,5% para 66,8%.
A proporção das empresas que afirmam promover mulheres subiu de 63,8% para 75,7%.
Houve crescimento na contratação de mulheres indígenas, de 8,2% em 2023 para 11,2%
em 2025, e de mulheres vítimas de violência, de 5,5% para 10,5%.
O levantamento indica ainda que 7% dos estabelecimentos afirmam contratar mulheres
em situação de violência, com maior concentração nos estados de Minas Gerais e
Espírito Santo, e os setores com maiores parcelas de contratação são serviços de
alimentação (17,8%), atividades de vigilância e segurança (16,2%), serviços de reparação
e manutenção de equipamentos (13,6%) e serviços para edifícios e paisagismo (13,1%).
Os estados com menor desigualdade são o Acre (91,9%), Piauí (92,1%). Distrito Federal
(91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) Amapá (86,9%). Os com
maior desigualdade salarial são o Espírito Santo (70,7%), Rio de janeiro (71,2%), Paraná
(71,3%).
O relatório analisou 19,3 milhões de vínculos de emprego formais, conforme dados
disponíveis na Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e informados pelas
companhia.
Sancionada em 3 de julho de 2023, a Lei da Igualdade Salarial determina que empresas
com cem ou mais empregados adotem medidas para assegurar a igualdade salarial entre
homens e mulheres e tornem públicos dados de remuneração, além de entregar relatório
semestral ao MTE.
No Brasil, no entanto, a igualdade salarial é garantida pela CLT (Consolidação das Leis
do Trabalho) desde 1943. A nova lei trouxe apenas a obrigação de informar as
movimentações, com o envio de relatórios —sob pena de multa a quem não cumpre a
regra— e a publicidade dos dados.

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