Publicado em 15/04/2026
A nossa Justiça, por dispormos de uma Justiça Eleitoral, deveria impedir o registro de determinadas candidaturas. Candidatos fichas-sujas e, em especial, aqueles que foram condenados antes e/ou no curso de suas próprias campanhas eleitorais deveriam ter suas candidaturas cuidadosamente avaliadas e, sendo o caso, impedidas. Isto porque, caso eleitos, acabam exercendo os seus mandatos.
Exemplo disto acabou de acontecer no Estado do Rio de Janeiro — diga-se de passagem, aquela que deveria ser uma das mais representativas unidades da nossa federação, já que estamos a tratar de um estado de relevante importância desde o descobrimento do nosso país. O ex-governador Cláudio Castro, seguindo a mesma trilha dos ex-governadores Moreira Franco, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, enfrentou condenações e prisões; e o seu antecessor, Wilson Witzel, sequer resistiu ao seu impeachment quando cumpria apenas 20 meses dos seus 48 meses de mandato.
Esta desastrosa sequência precisa ser interrompida, sobretudo porque, do ora ex-governador Cláudio Castro, os maus exemplos — ou seja, seus crimes — abundam, a se destacar sua indecorosa e malabarista renúncia visando concorrer ao Senado da nossa República. Detalhe à parte: Cláudio Castro havia sido processado judicialmente quando concorria à sua própria reeleição em 2022 e, após eleito, conseguiu manter-se no mandato até o ano de 2026, dele só vindo a se afastar dada a sua pretensão em concorrer ao Senado.
Acontece que, quando da sua criminosa denúncia, a tempo, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) retomou o seu julgamento e o tornou inelegível no dia 24 de março de 2026, quando o “dito cujo” já havia exercido praticamente todo o seu segundo mandato de governador. Pensando nas eleições de 2026 e, muito espertamente, o governador Cláudio Castro já havia conseguido a renúncia do seu vice-governador, Thiago Pampolha, em troca de uma vaga no TCE (Tribunal de Contas do Rio de Janeiro); e na presidência da Alerj (Assembleia Legislativa) havia posto o deputado estadual Rodrigo Bacelar, um sujeito igualmente trapaceiro e criminoso — prova disto é que o mesmo encontra-se preso e tornado inelegível.
Falando-se de Justiça Eleitoral, o Brasil é um dos raros países do mundo que a detém. Ainda assim, apostando que conseguirá registrar a sua candidatura ao Senado, o próprio Cláudio Castro já se encontra em plena campanha eleitoral e, segundo as pesquisas eleitorais, com grandes chances de se eleger. Volto a perguntar: por que o nosso país, eleitoralmente, não se dá ao respeito e continua alimentando o banditismo presente no Estado do Rio de Janeiro e em diversas unidades da nossa federação?

