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Esperando pelo pior, Vorcaro guardou todos os registros de conversas com poderosos na República

Publicado em 20/03/2026

Já dizia Daniel Vorcaro nas suas muitas reflexões íntimas com a ex-namorada: “Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia. Não dá pra sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal”.

O dono do Banco Master, quando decidiu entrar para o jogo, sabia o que estava fazendo. Meticuloso, tratou de guardar cada registro dos degraus que escalou na República corrompendo autoridades, violando procedimentos internos de estatais e órgãos de controle e traficando interesses via WhatsApp com amigos de noitadas frequentadas por modelos ucranianas.

Os celulares de Daniel Vorcaro, seus computadores e arquivos pessoais são um verdadeiro inventário da aventura de um banqueiro que caiu em desgraça. Vorcaro não deletava nada.

Sabia que um dia, caso “saísse mal” desse “negócio de banco”, poderia precisar dos arquivos. E agora ele precisa mais do que nunca deles, para poder obter algum benefício judicial que abrevie seu seu calvário judicial.

É isso que assusta os poderosos de Norte a Sul do país. Pode-se tratar do escândalo do Master desta forma geográfica porque sua máquina de traficar interesses não escolhia partido, ideologia ou rodas de poder. Suas “amizades” eram, na verdade, um meio para algum fim. Sem conhecer limites, Vorcaro fazia o que fosse preciso para conseguir o que queria.

Nessa lógica de agir, Vorcaro bateu na porta de muita gente. A combinação de bebida, festas luxuosas, viagens e honorários generosos atraiu muita gente. Do movimentado setor de consultorias de petistas aos meandros do Judiciário e dos fundos de pensão, muita gente apostou no dono do Master.

Como numa espécie de repetição da mentalidade vista no escândalo de corrupção que tragou a Petrobras nos governos do PT, Vorcaro chegou a um determinado patamar de relações com a República, que se julgava um alvo difícil de abater. Se caísse, levaria muita gente. Essa filosofia garantiu o pé no acelerador na última década, ampliando de modo inédito o poder de revelação do acordo de delação premiada que agora começa a tomar corpo na carceragem da Polícia Federal.

Diferentemente dos escândalos passados, o vasto arquivo de Vorcaro, nas mãos da PF e do ministro André Mendonça, tornou-se um monstro grande demais para ser abafado. E aí reside a insônia de figurões de diferentes gabinetes de Brasília. O banqueiro terá de falar, terá de entregar provas, revelar detalhes, apontar datas, encadear fatos e mostrar o que cada pagamento que saiu do Master comprou na República.

Não será uma delação, portanto, de “ouvi dizer” como foram as de Antonio Palocci e de outros delatores premiados do passado. “Estamos no início de um longo processo de depuração da República. O país se olhará no espelho a partir do que virá a público. E o que está guardado é realmente devastador”, diz um investigador do caso.

Com um caderninho e uma caneta Bic, Vorcaro já começou a trabalhar.

[Fonte: Revista Veja]

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