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Ataque dos EUA e de Israel mata o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã

Publicado em 01/03/2026
  • Americano diz que morte abre caminho para mudança do regime, mas há dúvidas; retaliação de Teerã se espalha pelo Oriente Médio

  • Quase 2 meses após captura de Maduro, Khamenei é o primeiro chefe de Estado morto em uma operação liderada por Washington

Por Igor Gielow | Folha de São Paulo
São Paulo

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto no sábado (28) no inédito ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra a teocracia instalada em 1979, cujo futuro está em suspenso.

Altas autoridades do país e de suas Forças Armadas, além de talvez o presidente Masoud Pezeshkian, também morreram. Os bombardeios continuaram na madrugada desta domingo (1º), como Donald Trump havia dito que iriam.

A morte do líder foi confirmada, após horas de negativas, pela mídia estatal iraniana. Com isso, Khamenei se torna o primeiro chefe de Estado no poder assassinado em uma operação comandada por Washington na história. Também foram mortos na ação uma das duas filhas do líder, que tinha outros 4 filhos, além de um neto, um genro e uma nora.

“Khamenei, uma das pessoas mais más da história, está morto”, disse Trump na rede Truth Social. Ele disse que ouviu relatos de que elementos da Guarda Revolucionária, a principal força militar do país, querem parar a retaliação contra os EUA e seus aliados no golfo Pérsico, e voltou a oferecer imunidade em caso de rendição.

Mais cedo, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, havia dito publicamente que “há muitos sinais” de que o líder “não está mais entre nós” —o que levou agências de notícia estatais iranianas a dizer que o aiatolá estava “firme e em comando” do campo de batalha, o que só durou até o meio da madrugada deste domingo (1º), noite de sábado no Brasil.

Antes e depois do complexo onde vive o líder Ali Khamenei, em Teerã

Vista aérea mostra área urbana densamente povoada com ruas estreitas e prédios próximos. Fumaça preta sobe de um ponto central, indicando possível incêndio ou explosão. Áreas verdes e estruturas maiores aparecem na parte inferior direita.

Imagens de satélite mostram o local antes e depois de ataques dos EUA e de Israel – Reprodução/Reuters

Netanyahu citou que o complexo em que Khamenei morava foi destruído por sua aviação em Teerã. O estrago já era verificável por meio de uma foto de satélite divulgada mais cedo pelo New York Times, mas a mídia estatal iraniana afirmava que o líder e o presidente estavam vivos.

O vice de Pezeshkian, Mohammad Reza Aref, já informou o governo que pode assumir a Presidência caso o titular não reapareça, segundo a agência local Isna.

Netanyahu também afirmou que “diversos comandantes da Guarda Revolucionária e cientistas nucleares” foram alvejados na ação com 200 aviões contra 500 alvos, que levou a uma retaliação também inédita contra aliados americanos no golfo Pérsico, além de ataques a Israel.

Relatos não confirmados indicam a morte do ministo da Defesa, Amir Nasirzadeh, do chefe da Guarda, Mohammad Pakpour, do conselheiro de Defesa Ali Ahamkhani e do chefe do Estado-Maior do país, Mohammad Bagheri, além de diversos outros comandantes.

Segundo o Crescente Vermelho no Irã, 201 pessoas foram mortas nos ataques e 747 ficaram feridas. Não houve baixas americanas, segundo o Pentágono, e ao menos um civil morreu em Abu Dhabi, e outro, em Israel.

A ação militar ocorreu mesmo após o anúncio de mais uma rodada de negociações entre americanos e iranianos acerca do programa nuclear de Teerã, que Trump disse querer ver desmantelado completamente. No ano passado, o americano chegou a atacar instalações atômicas do rival, encerrando uma guerra de 12 dias entre Irã e Israel.

Trump e Netanyahu pediram que o povo iraniano vá às ruas para tomar o poder. “Acabem o serviço”, disse o premiê israelense.

O iraniano liderava seu país desde 1989, quando morreu o fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini.

Outros líderes hostis a Washington morreram após ações ocidentais na história recente, mas nunca diretamente. O ditador iraquiano Saddam Hussein, por exemplo, foi capturado por americanos em 2003, após a invasão de seu país, mas acabou enforcado após julgamento em uma corte local três anos depois.

Já o ditador líbio Muammar Gaddafi, que sobrevivera a um bombardeio americano em 1986, foi morto por rivais numa sarjeta em 2011 após ser destituído na esteira de uma ação ocidental autorizada pela ONU com participação dos EUA.

Sob Trump, se havia regra limitando ações diretas, ele a ignorou. O americano havia capturado no dia 3 de janeiro o ditador Nicolás Maduro e sua mulher num ataque à Venezuela, de resto uma aliada do Irã, da Rússia e da China.

O que acontece agora é incerto e depende do escopo e da duração da operação americana, que pode visar a destruição da cadeia de comando da Guarda Revolucionária, o principal ente militar da teocracia.

Do ponto de vista sucessório, na ausência do líder é prevista a criação de uma junta formada pelo presidente do país, o chefe do Judiciário e um membro do Conselho dos Guardiões, órgão com seis clérigos e seis juristas.

O grupo governa até a reunião dos 88 membros da Assembleia de Peritos, clérigos eleitos mas que precisam do aval do Conselho, que definirá o nome do sucessor de Khamenei. Com a suspeita morte em acidente aéreo do presidente radical Ebrahim Raisi, em 2024, o favorito era um dos filhos de Khamenei, Mojtaba, 56.

Nada disso é provável com o país sob ataque. A chance de a Guarda tomar as rédeas, se sobreviver de forma organizada, não é desprezível também, tornando o autocrático Estado religioso numa ditadura militar sob linhas semelhantes.

Outra opção é uma guerra civil, dado que não está nos planos e na capacidade mobilizada de Trump a hipótese de uma ação terrestre para empoderar algum grupo no comando.

Este era um temor de ativistas, que buscaram eleger a figura do filho do xá deposto pelos aiatolás, Reza Pahlavi, como nome consensual, o que parecia ilusório dado o distanciamento do príncipe homônimo, radicado nos EUA.

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