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Política

“Covardes”, diz Moraes sobre brasileiros que articulam pressão contra o STF nos EUA

Publicado em 01/08/2025

Na reabertura dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF) no segundo semestre de 2025, o ministro Alexandre de Moraes fez duras declarações contra o que classificou como uma organização criminosa composta por brasileiros foragidos no exterior. Segundo o ministro, o grupo atua nos Estados Unidos com o objetivo de pressionar e desestabilizar o Judiciário brasileiro.

De acordo com Moraes, há provas de uma articulação dolosa e criminosa para obstruir o julgamento da Ação Penal 2.668, que envolve o núcleo central dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. O ministro afirmou que os envolvidos pretendem submeter o STF à influência de um Estado estrangeiro, o que configura “traição covarde e traiçoeira à pátria”.

O ministro classificou os acusados como “pseudo-patriotas” e denunciou uma série de atitudes hostis, mentirosas e derivadas de negociações ilícitas, incluindo pedidos para que os Estados Unidos impusessem sanções econômicas ao Brasil. Segundo ele, essas ações resultaram em tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, prejudicando a economia nacional, a competitividade das empresas e a manutenção de empregos.

Modus operandi golpista

Moraes fez um paralelo entre os atuais movimentos e os atos de 2022 e 2023, como acampamentos em quartéis e a invasão da Praça dos Três Poderes. Segundo ele, a intenção desses grupos é provocar uma crise econômica e institucional que crie um ambiente de instabilidade política, favorecendo interesses pessoais.

Entre os episódios mais graves citados está uma ameaça feita por um dos investigados aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. A proposta era suspender as tarifas em troca da aprovação de uma “anistia inconstitucional” ou do início de processos de impeachment contra ministros do STF. “Ameaças sem o menor respeito institucional, em explícita chantagem”, disse Moraes.

Defesa do devido processo legal

O ministro rechaçou qualquer tentativa de interferência ou pressão sobre os processos em curso. Afirmou que todas as ações penais seguem o devido processo legal, com ampla defesa e contraditório garantidos. Ele ressaltou que 96 advogados estão habilitados nas quatro ações penais e que foram ouvidas 149 testemunhas de defesa, além de acusação e interrogatórios de 31 réus — todos transmitidos ao vivo e com total transparência.

“Não houve no mundo uma ação penal com tanta transparência e publicidade como essa”, afirmou Moraes.

Segundo o ministro, as pressões têm como objetivo forçar o arquivamento imediato dos processos para beneficiar pessoas que se consideram acima da lei e da Constituição.

Ameaças a autoridades e familiares

Moraes também relatou que, além de autoridades, familiares de ministros têm sido alvo de ameaças. Ele mencionou casos envolvendo as esposas dos ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. As ações, segundo ele, se assemelham às de “milicianos do submundo do crime”.

“Acham que estão lidando com milicianos, mas estão lidando com ministros da Suprema Corte Brasileira”, disse Moraes, reafirmando que a independência judicial é inegociável e que a soberania nacional não será submetida a ameaças externas.

Postura firme diante das pressões

Moraes concluiu o discurso dizendo que continuará exercendo suas funções normalmente, sem se intimidar com sanções ou chantagens. “A soberania nacional não pode, não deve e jamais será vilipendiada, negociada ou extorquida”, afirmou, citando a Constituição.

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