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Caso Juliana: Contradições em depoimentos de advogados podem levar a indiciamentos

Publicado em 24/06/2025

O delegado Cristiano Bastos, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que conduz as investigações sobre o atropelamento e a morte da advogada Juliana Chaar Marçal, de 36 anos, em frente a uma casa noturna de Rio Branco, além dos disparos efetuados pelo também advogado Keldheky Maia da Silva no local, afirmou que todos os envolvidos na ocorrência prestarão novos depoimentos. Caso seja constatado que alguém mentiu durante as declarações anteriores na Delegacia de Flagrantes (DEFLA), poderá ser indiciado pelo crime de falso testemunho.

Entenda o caso:

No inquérito, os advogados João Felipe de Oliveira Mariano e Bárbara Maués Freire , que estavam com Juliana e Keldheky tanto na casa noturna quanto no momento da confusão ,disseram não lembrar ou não ter presenciado disparos. João Felipe afirmou que não se recorda de ter escutado tiros, nem viu alguém armado. Já Bárbara declarou que não viu ninguém portando arma nem ouviu disparos.

No entanto, imagens obtidas posteriormente mostram os dois a poucos centímetros de Keldheky no momento dos disparos, o que levanta dúvidas sobre seus relatos.

“O compromisso legal de quem presta depoimento é dizer a verdade. Todos são advertidos sobre isso. Se, durante o andamento da investigação, for identificado que alguém faltou com a verdade, essa pessoa pode ser indiciada por falso testemunho”, afirmou o delegado Cristiano Bastos.

Bárbara Maués Freire é atual presidente do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB no Acre e procuradora de Justiça Desportiva no Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol no estado. Questionada sobre o episódio, ela reforçou que não se lembra do ocorrido. “Fui agredida, perdi minha irmã. É natural que eu não me lembre. Deixei isso claro no meu depoimento. Se você acha que deve fazer uma matéria tendenciosa para levantar suspeita contra mim, que sou vítima, faça. Nada vai ser pior do que a dor que já estou sentindo pela partida da minha irmã”, declarou.

A reportagem tentou contato com João Felipe, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.

Keldheky Maia, que optou por permanecer em silêncio durante o primeiro depoimento, é sócio do presidente da OAB/AC, Rodrigo Aiache, em uma empresa de consultoria e assessoria jurídica.

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