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Fifa não vê conflito de interesses na CazéTV e detalha direitos da Copa-2030: ‘Ninguém foi excluído’

Publicado em 28/06/2026

Em exclusiva ao ‘Estadão’, diretor de Negócios da entidade, Romy Gai, diz que patrocínios de bets nas transmissões são questões dos próprios veículos de comunicação e afirma avaliar ‘cada mercado individualmente’

Por Gustavo Faldon e Ricardo Magatti | Estadão

Copa do Mundo 2026: O que está por trás de aumento na premiação para US$ 871 milhões da Fifa?

Premiação do Mundial na América do Norte baterá recorde em valor distribuído para as federações nacionais. Crédito: Amanda Dantas (Edição)

Em entrevista exclusiva ao Estadão, a Fifa, através do diretor de negócios da entidade, Romy Gai, disse não interpretar como potencial conflito de interesses o fato da CazéTV transmitir os jogos da Copa do Mundo 2026. A CazéTV pertence a LiveMode, empresa que adquiriu os direitos de transmissão do Mundial na América do Norte para o território brasileiro.

“Não (vejo potencial conflito de interesses). A Livemode adquiriu os direitos de diversas competições da Fifa desde 2022 com a clara intenção de explorar total ou parcialmente esses direitos por meio da CazéTV, e isso sempre foi totalmente transparente, realizado com o conhecimento e a aprovação da Fifa.”, disse Gai.

Único veículo a ter os direitos de exibição de todos os jogos da Copa do Mundo, a CazéTV tem sido alvo de críticas de usuários, concorrentes, influenciadores e até políticos, com o Ministério da Justiça tendo aberto uma investigação contra a emissora por supostamente fazer “publicidade abusiva” de bets, segundo mostrou o Estadão.

A CazéTV mudou a forma como tem tratado os comerciais de bets em suas transmissões, optando por uma abordagem mais tradicional, sem que narradores e comentaristas falem as odds durante o jogo. A Fifa, que não tem patrocínios de casas de apostas na Copa do Mundo, comentou o assunto, dizendo ser uma “questão dos próprios veículos de comunicação”.

Descobriram que a CazéTV faz propaganda de bet!

Políticos acordaram para os malefícios das apostas à população — não por acaso, em ano eleitoral. Crédito: Edição: Júlia Pereira

Veja abaixo a entrevista completa:

A Fifa realmente vê algum conflito de interesses na relação entre a Livemode e a CazéTV?

Não. A Livemode adquiriu os direitos de diversas competições da Fifa desde 2022 com a clara intenção de explorar total ou parcialmente esses direitos por meio da CazéTV, e isso sempre foi totalmente transparente, realizado com o conhecimento e a aprovação da Fifa.

Do nosso ponto de vista, a CazéTV trouxe um estilo de cobertura diferenciado e inovador, que tem sido extremamente eficaz para engajar novos públicos e ampliar o alcance das nossas competições.

A Casa CazéTV, em São Paulo
A Casa CazéTV, em São Paulo Foto: @casacazetv via Instagram

As audiências registradas durante a Copa do Mundo da Fifa de 2026 reforçam o sucesso dessa parceria. Somadas à excelente cobertura da TV Globo, do SBT e da NSports, os torcedores brasileiros tiveram acesso a uma das coberturas mais diversificadas e abrangentes da Copa do Mundo da Fifa em todo o mundo.

O fato de a CazéTV pertencer a uma empresa que adquire e sublicencia direitos de transmissão representa um problema, na visão da Fifa, para futuras negociações?

Não. Na verdade, esse é um modelo consolidado em toda a indústria da mídia esportiva. Dependendo da estrutura de determinado mercado, é bastante comum que um detentor de direitos mantenha parte deles para suas próprias plataformas enquanto sublicencia outros, sempre sujeito à aprovação da Fifa.

Foi exatamente isso que aconteceu neste caso. A Livemode adquiriu os direitos de mídia da Copa do Mundo da Fifa de 2026 e os explorou da forma acordada com a Fifa: utilizando a CazéTV para alcançar públicos mais jovens e diversificados, enquanto sublicenciou parte dos direitos ao SBT e à NSports.

Essa estratégia nos ajudou a atingir nossos objetivos no Brasil e, por isso, não vemos qualquer problema nesse modelo.

A Fifa tem algum envolvimento na criação de uma possível liga de futebol no Brasil?

Não.

Como será conduzido o processo de licitação dos direitos de mídia da Copa do Mundo de 2030? Será um processo aberto, fechado ou envolverá negociações diretas?

Neste momento, todos os direitos de mídia da Copa do Mundo da Fifa de 2030 permanecem com a Fifa e nenhum acordo foi firmado.

Ainda não decidimos como será o processo de comercialização. No momento oportuno, entraremos em contato com as partes interessadas utilizando o formato que entendermos ser o mais adequado para atingir os objetivos gerais da Fifa.

Alguma emissora já está em vantagem no processo ou alguma já foi excluída?

Ninguém detém atualmente os direitos de mídia da Copa do Mundo da Fifa de 2030 no Brasil, e ninguém foi excluído do processo.

Como acontece em todas as vendas de direitos de mídia da Fifa, realizaremos uma criteriosa due diligence de todos os potenciais parceiros para garantir que atendam aos nossos requisitos de conformidade.

Qual é a opinião da Fifa sobre a fragmentação dos direitos de transmissão entre diversas empresas?

Acredito que isso simplesmente reflete a evolução do mercado de mídia esportiva ao longo das últimas duas décadas.

Não adotamos uma abordagem única para todos os mercados. Cada território é diferente e, por isso, analisamos cada mercado individualmente.

No fim das contas, buscamos encontrar o equilíbrio ideal entre valor comercial, alcance de audiência, engajamento dos torcedores e o crescimento contínuo do futebol.

Como a Fifa vê o fato de as empresas de apostas esportivas estarem entre os principais anunciantes da cobertura da Copa do Mundo da Fifa na mídia brasileira?

Essas relações comerciais são uma questão dos próprios veículos de comunicação, portanto a Fifa não participa dessas negociações publicitárias.

Da nossa parte, sempre que celebramos acordos de patrocínio, incluindo com empresas que atuam nos mercados de apostas ou de previsões, realizamos uma ampla due diligence para garantir que estejam em conformidade com a legislação e os regulamentos aplicáveis.

Como a Fifa avalia a transmissão gratuita por streaming dos jogos da Copa do Mundo da Fifa? Outros países podem adotar esse modelo no futuro?

Estamos muito satisfeitos com o que vimos.

O streaming se tornou uma das formas preferidas de muitas pessoas ao redor do mundo para acompanhar o esporte, e ficamos particularmente satisfeitos com os resultados alcançados pela Livemode no Brasil e, mais recentemente, em Portugal.

Dito isso, cada mercado é diferente. Regulamentação, infraestrutura, acessibilidade e hábitos de consumo variam consideravelmente.

Por isso, não aplicamos o mesmo modelo em todos os lugares. Avaliamos cada mercado individualmente e decidimos qual abordagem atende melhor tanto à competição quanto aos torcedores.

A Fifa pretende manter a Livemode como responsável pela negociação dos direitos de transmissão no Brasil para seus próximos eventos?

Apenas para esclarecer: atualmente, a Livemode detém os direitos de mídia de diversas competições da Fifa no Brasil. Ela não atua como agência de vendas dos direitos de mídia da Fifa no território.

Olhando para o futuro, ainda não foi tomada nenhuma decisão sobre a utilização de agências nas próximas vendas de direitos de mídia da Fifa no Brasil.

Para o próximo ciclo da Copa do Mundo da Fifa, a entidade considera impor alguma restrição às agências que negociam direitos de televisão e também transmitem os jogos?

Nosso processo de comercialização permite que os interessados apresentem propostas, juntamente com informações completas sobre como pretendem explorar os direitos.

Em seguida, avaliamos cada proposta com base em seus próprios méritos e concedemos os direitos àquela que acreditamos oferecer o melhor resultado geral para a Fifa, para nossas competições e para o futebol.

Se, em determinado mercado, concluirmos que trabalhar com uma agência é a melhor forma de alcançar esses objetivos, essa continuará sendo uma opção considerada. Trata-se de um modelo que tem funcionado bem em outros mercados, como em nossa parceria com a Dentsu no Japão.

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