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quinta-feira, 4 de junho de 2026
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Disputa esquisita

Publicado em 04/06/2026

No nosso país não existe lulismo e nem bolsonarismo, mas sim e simplesmente, anti-lulismo e anti-bolsonarismo.

Via de regra, 45% dos nossos eleitores afirmam que vão votar no candidato Flávio Bolsonaro porque não votarão no candidato Lula de jeito nenhum e, em igual percentual, outros 45% afirmam que votarão no candidato Lula porque não votarão no candidato Flávio Bolsonaro.

Sendo assim, se em todas as pesquisas o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro sempre aparecem nos primeiros lugares, enquanto os demais pré-candidatos — entre eles Romeu Zema, ex-governador do Estado de Minas Gerais, e o ex-governador do Estado de Goiás, Ronaldo Caiado — sempre aparecem com percentuais bastante nanicos e nunca superiores a 4%, tudo nos leva a crer que o candidato que vier a ser eleito irá assumir as suas funções sendo rejeitado por mais de 45% dos nossos eleitores.

Isto é o resultado de um país que se deixou levar pela política do contra, presentemente o anti-lulismo e o anti-bolsonarismo, ou, mais apropriadamente, pelo ódio ou qualquer outro sentimento ainda pior.

Daí a pergunta que não quer calar: qual o papel que vem sendo exercido pelos nossos partidos políticos se, de um lado, o ex-presidente Jair Bolsonaro impôs a candidatura do seu filho, Flávio Bolsonaro, e de outro, o presidente Lula, no curso do seu terceiro mandato, está buscando exercer um quarto mandato presidencial?

Portanto, se 90% dos nossos votos estão divididos entre o lulismo e o bolsonarismo, decerto o vencedor das nossas próximas eleições está nas mãos de 10% dos nossos eleitores. O mais grave é que, enquanto a nossa atual legislação político-partidária se mantiver, coisas piores ainda estarão por vir. Para provar, basta que lembremos as eleições presidenciais de 1989, vencidas pelo então candidato Fernando Collor, filiado a um partideco apelidado pela sigla PRN, e as eleições de 2018, quando o então candidato Jair Bolsonaro foi eleito por um partideco apelidado de PSL.

Lamentavelmente, no nosso país, os partidos já se transformaram em verdadeiros balcões de negócios, melhor dizendo, de negociatas. A título de exemplo, citaremos o PSD, ora presidido por Gilberto Kassab. A propósito, no Estado de São Paulo e em diversos outros estados o PSD apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto no Estado da Bahia o PSD é 100% lulista.

Nas democracias que se prezam, é de poucos partidos políticos que saem os candidatos em condições de se elegerem aos seus mais elevados postos de poder. Nos EUA, somente entre os filiados do partido democrata ou republicano é possível que um candidato se eleja a presidente — e, no máximo, duas vezes.

Mas entre nós o De quem é o PIX?

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