Publicado em 13/05/2026
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Por Redação
O cenário do transporte intermunicipal de passageiros no Acre pode sofrer uma reviravolta nos próximos meses. Com o contrato da Transacreana prestes a vencer em julho, a empresa rondoniense Viação Marlim anunciou que está preparada para assumir as operações no estado, caso haja vacância no serviço ou abertura de nova licitação.
Atualmente, a Transacreana detém o monopólio prático das viagens que ligam a capital, Rio Branco, a 13 municípios acreanos, além de Boca do Acre (AM). No entanto, a ausência de um anúncio oficial sobre a renovação do contrato ou a abertura de um novo certame pela Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Acre (Ageac) acendeu o sinal de alerta no setor.
Sediada em Porto Velho, a Viação Marlim já possui expertise na região, operando a linha entre a capital de Rondônia e Cruzeiro do Sul. Com atuação em estados como Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Paraná, a companhia afirmou possuir frota disponível para uma transição rápida, visando evitar que milhares de passageiros fiquem desassistidos.
Impasse financeiro e gratuidades
O movimento da concorrente ocorre em meio a um momento de tensão entre a atual operadora e o poder público. A Transacreana sinalizou a possibilidade de descontinuidade dos serviços caso não receba subsídio financeiro do Governo do Estado.
Os principais argumentos da empresa incluem:
Aumento de custos operacionais: Elevação no preço de combustíveis e manutenção.
Impacto das gratuidades: A empresa alega prejuízos financeiros decorrentes do transporte de passageiros isentos de tarifa.
Apesar das queixas financeiras enviadas à Ageac, críticos pontuam que o documento da Transacreana omite o fato de a empresa operar com exclusividade em quase todas as linhas intermunicipais, o que, teoricamente, garante um fluxo constante de demanda.
Até o momento, a Ageac não se manifestou publicamente sobre o cronograma de licitação ou sobre como ficará o atendimento à população a partir de agosto. A falta de definições preocupa usuários que dependem diariamente do transporte para saúde, educação e trabalho entre o interior e a capital.
Se a saída da Transacreana se confirmar e a Viação Marlim — ou outra empresa — assumir as rotas, o Acre poderá ver uma reestruturação logística que não ocorre há anos, trazendo novos padrões de frota e, possivelmente, competitividade para o setor.

