Publicado em 29/01/2026
Recursos próprios devem ser aplicados em novos reservatórios, reforço da rede e expansão do tratamento de esgoto na capital
O Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) planeja realizar, em 2026, o maior volume de investimentos com recursos próprios da história da autarquia. De acordo com o presidente do órgão, Enoque Pereira, o montante pode chegar a R$ 50 milhões e deverá ser anunciado oficialmente pelo prefeito de Rio Branco até o dia 19 de fevereiro.
Segundo Enoque, todos os investimentos previstos serão custeados com recursos arrecadados pelo próprio Saerb, sem utilização de emendas parlamentares ou repasses do governo federal. A mudança representa um novo modelo de financiamento do sistema de saneamento da capital, com maior autonomia financeira da autarquia.
Entre as prioridades estão a construção de novos reservatórios de água em regiões como Panorama e Holanda, além da ampliação de estruturas já existentes. Também está previsto o reforço da rede de distribuição, principalmente em bairros onde a tubulação antiga e de menor diâmetro compromete a pressão e a regularidade do abastecimento.
“Não adianta empurrar água em uma rede fina. É preciso trocar a tubulação, reforçar a rede e construir adutoras mais robustas”, explicou o presidente.
Parte significativa dos recursos será destinada à ampliação do sistema de esgotamento sanitário. A projeção é que, somadas as obras do município e do governo do Estado previstas para este ano, Rio Branco ultrapasse 70% de esgoto tratado, índice que colocaria a capital entre as mais avançadas da Região Norte.
Enoque destacou ainda a redução da dependência financeira do Saerb em relação à prefeitura. Em 2022, a cada R$ 100 investidos no sistema, cerca de R$ 90 eram repassados pelo município e apenas R$ 10 vinham da arrecadação própria. Para 2026, a estimativa é de que R$ 75 dos investimentos sejam bancados pelo Saerb e R$ 25 pela prefeitura.
O presidente também voltou a defender a manutenção do serviço público e criticou a privatização do saneamento. Segundo ele, a experiência de cidades como Manaus demonstra que tarifas mais elevadas não resultam, necessariamente, em melhor qualidade do serviço. Enquanto a tarifa mínima em Rio Branco é de cerca de R$ 38, em Manaus ultrapassa R$ 100, com índices de tratamento de esgoto ainda considerados insatisfatórios.
Além das obras estruturais, o Saerb tem investido na melhoria da gestão financeira. A arrecadação da autarquia passou de 49% do faturamento em 2022 para 73% em 2025. A meta para 2026 é alcançar 82%, o que deve ampliar a capacidade de execução dos projetos planejados.
“Sem equilíbrio financeiro não há obra. O avanço do sistema depende diretamente da arrecadação e da capacidade de investimento”, concluiu Enoque Pereira.

