Publicado em 14/05/2026
Foto: Cedida
Por Alessandra Karoline
As escolas da Rede Pública Estadual do Acre retomaram as atividades nesta quarta-feira (13), após uma semana de luto e incertezas. O Governo do Estado e as forças de segurança alinharam novos protocolos após o ataque a tiros no Instituto São José, ocorrido no dia 5 de maio, que resultou na morte das inspetoras Alzenir Pereira da Silva e Raquel Sales Feitosa.
Enquanto o Instituto São José — escola conveniada onde ocorreu o crime — segue fechado e sem previsão de reabertura, as demais unidades escolares reabriram os portões em um clima de vigilância e tensão.
Para conter o medo que se instalou na comunidade escolar, a Polícia Militar do Acre (PM-AC) ampliou a Operação Escola Segura.
As medidas incluem:
Aumento de efetivo: 29 policiais dedicados exclusivamente por turno, com reforço de unidades de área no interior e na capital.
Monitoramento de Inteligência: Varreduras em redes sociais e canais de denúncia para identificar potenciais novas ameaças.
Acolhimento: Atuação conjunta com órgãos de apoio para oferecer suporte psicológico a alunos e servidores.

Segurança e novos protocolos marcam o retorno às aulas no Acre
O retorno às atividades após o recente ataque traz preocupações e incertezas a estudantes e professores. Com cartazes fixados em vários pontos das unidades e a adoção de medidas próprias de segurança, as instituições buscam controlar o acesso e assegurar a integridade dos alunos.
Na Escola Técnica em Saúde Maria Moreira da Rocha, a rotina mudou drasticamente. “Voltar para a escola depois desse ocorrido foi, assim, meio estranho para mim. Você tem a sensação de que, a qualquer momento, pode acontecer alguma coisa”, relata uma estudante da instituição.
Ela destaca o impacto das novas normas de entrada: “Você ter que chegar na escola, abrir sua bolsa e mostrar o conteúdo para garantir que não haja nenhum objeto perfurante que possa causar transtorno”, comenta estudante.
Além da revista de pertences, a escola implementou o recolhimento de celulares, que ficam retidos até o final das aulas. A medida é vista com ressalvas por parte dos alunos, que utilizavam os aparelhos inclusive durante o intervalo para tarefas cotidianas, como pedir refeições.

Acolhimento e união entre escola e família
Para os educadores, o desafio vai além da vigilância física. Uma professora do curso técnico reforça que o acolhimento e o diálogo com os estudantes são fundamentais para mantê-los calmos diante da situação.
“Situações como a que aconteceu na Escola São José despertam medo, insegurança e muitas emoções. Como professora, compreendo que este é um momento de escuta. As medidas implantadas não têm caráter punitivo, mas preventivo, visando proteger a todos. Mais do que nunca, escola e família precisam atuar juntas para manter um ambiente seguro”, declara a educadora.
O cenário de alerta é reforçado pela Operação Escola Segura, da Polícia Militar, que mantém rondas ostensivas e patrulhamento comunitário nas proximidades das instituições para elevar a sensação de segurança de toda a comunidade escolar.
Investigações e Responsabilização
No campo jurídico, a Polícia Civil mantém duas frentes de investigação. A primeira foca no ato infracional do adolescente de 13 anos, que segue apreendido. A segunda investiga a conduta do padrasto do jovem, proprietário da arma utilizada no crime. Ele chegou a prestar depoimento e foi liberado, mas poderá responder por negligência na guarda do armamento.
O Ministério da Educação (MEC) também enviou especialistas do programa Escola que Protege para prestar auxílio técnico ao estado na formulação de estratégias de prevenção à violência escolar a longo prazo.
Resumo das Medidas Pós-Tragédia

