Publicado em 23/04/2026
Foto: Reprodução
Por Redação
Uma jovem de 23 anos procurou, nesta quarta-feira (22), a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Cruzeiro do Sul para denunciar um caso de assédio sexual e violência envolvendo o empresário Lindemberg Pereira Chaves, proprietário de um dos maiores laboratórios da cidade.
Segundo o relato, a vítima trabalhou na empresa por quase dois anos e afirma que foi demitida após se afastar por questões de saúde mental. Ela diz que desenvolveu um quadro de ansiedade e depressão em decorrência das situações vividas no ambiente de trabalho, o que a levou a ficar afastada por dez dias. Ao retornar, teria sido informada sobre uma possível transferência para outra unidade, com redução salarial. Diante da recusa, acabou sendo desligada.
A jovem afirma que os episódios de assédio começaram cerca de cinco a seis meses após sua contratação. De acordo com seu depoimento, o superior passou a ter comportamentos considerados inadequados, como olhares insistentes, abordagens fora do ambiente profissional e convites para encontros. Ela relata ainda que era seguida após o expediente e que, por medo, passou a sair acompanhada de colegas.
Entre os episódios citados, a vítima menciona que o empresário teria levantado sua blusa no local de trabalho sob o pretexto de ver uma tatuagem, situação que teria sido presenciada por outra funcionária. Também afirma que recebia ligações e mensagens com teor pessoal, o que aumentava o constrangimento.
De acordo com laudo psiquiátrico apresentado, a jovem apresenta quadro ansioso-depressivo com prejuízos significativos em sua vida pessoal e profissional. O documento aponta diagnóstico compatível com transtorno de estresse pós-traumático e síndrome de burnout, indicando a necessidade de acompanhamento contínuo.
No boletim de ocorrência, ela formaliza as denúncias e solicita a apuração dos fatos, destacando que as condutas ocorreram dentro de uma relação hierárquica, o que, segundo ela, agravou a situação.
Além disso, a jovem também relata problemas relacionados às condições de trabalho, como cobranças excessivas, ameaças envolvendo metas e atrasos frequentes no pagamento de salários.
O empresário, que recentemente se filiou ao Partido Liberal (PL) e tem pretensões de disputar uma vaga como deputado federal, se manifestou sobre o caso. Em nota, afirmou que não foi oficialmente notificado sobre qualquer denúncia e que desconhece formalmente o conteúdo das acusações.
Ele negou as acusações e declarou que repudia qualquer imputação de assédio ou prática ilícita. Ressaltou ainda que, caso seja formalmente acionado, prestará esclarecimentos às autoridades competentes e adotará as medidas legais necessárias para resguardar sua imagem e seus direitos.

