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domingo, 5 de julho de 2026
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Opinião | Jogar mais ou menos? O que a história das Copas nos diz sobre as seleções que ficam muito em campo

Publicado em 05/07/2026

Acelotti observa jogadores durante treino da seleção nos Estados Unidos. Foto: Werther Santana/Estadão

Brasil ganha da Noruega, que tem mais time e banco do que o Japão. E que vença nos 90 minutos

Por Mauro Beting | Estadão

‘Haaland tá certo de passar a responsabilidade pro Brasil. Se passar Noruega, é zebra.’

Nagila Luz comenta a fala de Haaland sobre Brasil. Crédito: edição: Gabriel Alegreti

Danilo Santos para marcar mais do que Paquetá no 4-4-2 sem a bola de Ancelotti, com o botafoguense pela esquerda, no meio, fazendo o que Rayan se esforça à direita? Guardaria Martinelli para depois suar ainda mais o rival no inferno de Nova Jersey? Ou Endrick para “atacar o espaço” com a fúria de um Darth Vader?

O “vikingol” Haaland pode marcar uns dois neste maravilhoso Mundial. Mas sofrerá três pela zaga lenta e vulnerável por cima, mesmo com dois fiordes na defesa. Eles parecem pouco para conter Vini Jr.

Brasil ganha da Noruega, que tem mais time e banco do que o Japão. E que vença nos 90 minutos. Que o Brasil faça tudo e mais um fio de cabelo que impediu a Croácia de empatar com Portugal para evitar meia hora a mais de futebol. (Sem mais parada comercial, opa, de hidratação dos cofres e odds de quem transmite).

Desde 1930, quando Modric começou a jogar pela Iugoslávia, apenas cinco vezes o campeão jogou mais minutos do que o vice em cada Copa: em 1934, a Itália teve jogo extra contra a Espanha e atuou 120 minutos a mais do que a vice Tchecoslováquia; a Alemanha, em 1954, teve partida desempate contra a Turquia antes de vencer a Hungria; em 1998, a França jogou duas prorrogações, uma a mais do que o Brasil (porém, o time de Zagallo jogou na semifinal); em 2006, a Itália disputou um tempo extra a mais do que a França; 2022, quando a Argentina teve meia hora de jogo a mais do que a França.

Fora as Copas em que os finalistas tiveram a mesma minutagem em campo, quem chegou menos desgastado por ter atuado menos tempo que o outro finalista levou o caneco: 1930, 1950 (dois jogos a menos teve o Uruguai do que o Brasil!), 1970, 1982, 1986, 1990, 1994, 2014 e 2018. Em nove Mundiais, o elenco mais desgastado física e animicamente foi batido e abatido também por estar pregado.

Na primeira fase de 1950, o Brasil teve duas pedreiras contra Suíça e Iugoslávia. O Uruguai só passeou nos 8 a 0 na Bolívia para chegar ao quadrangular final. Em 1970, o melhor Brasil de todos também foi a melhor seleção das Copas por pegar a Itália esfalfada pela prorrogação na semi, na altitude, e com metade do elenco se recuperando do Mal de Montezuma. Itália que sofreu em 1994 pelo calor e por minutos jogados a mais. Motivo para Baggio bater aquele pênalti daquele jeito: “estava tão cansado que, se eu colocasse a cobrança como fazia, a bola nem chegaria à meta “.

Ou seja: torçamos para que a França siga jogando muito – muitos minutos a mais do que a gente, s’il vous plaît.

 

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