Publicado em 16/03/2026
Foto: José Alex e Eduardo Veloso
Em uma edição marcada pela reflexão sobre os limites entre a justiça e o espetáculo midiático, o programa “X da Questão”, de domingo, 15, transmitido pela TV Rio Branco, canal 8.1, e Rádio Cidade FM 107.1, apresentado pelo jornalista José Aleksandro, recebeu o médico e deputado federal Eduardo Veloso. O parlamentar, que é pré-candidato ao Senado Federal, falou abertamente sobre a recente operação de busca e apreensão da Polícia Federal em sua residência e o impacto das investigações em sua vida pessoal e política.

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Editorial: Quando a Manchete Vira Sentença
Antes de iniciar a entrevista, o apresentador e jornalista José Aleksandro trouxe um editorial contundente intitulado “O Tribunal das Reputações”. O texto provocou os telespectadores a refletirem sobre o “tempo estranho” em que vivemos, onde acusações muitas vezes pesam mais do que décadas de trabalho.
“A reputação é uma construção silenciosa. Ela nasce no caráter, no trabalho e na coerência de uma vida inteira. Mas, na política, ela passa a correr um risco enorme”, pontuou José Aleksandro.
O editorial enfatizou a importância da presunção de inocência, garantida pela Constituição, alertando que a destruição da honra como instrumento de disputa política enfraquece a própria democracia. “Democracia de verdade não condena pela manchete, condena pela prova”, concluiu o apresentador.
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A Investigação: Emendas e a ExpoSena
O foco central da entrevista foi a emenda de R$ 1,35 milhão destinada pelo deputado para a realização da ExpoSena, em Sena Madureira. Veloso explicou que, ao longo de seu mandato, já indicou cerca de R$ 200 milhões em recursos para o estado e detalhou o trâmite técnico:
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O Papel do Parlamentar: O deputado indica a emenda (neste caso, uma transferência especial conhecida como “Emenda PIX”).
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A Execução: A responsabilidade pela contratação de shows e execução do evento é da municipalidade.
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A Suspeita: O inquérito investiga um possível superfaturamento nos pagamentos do evento, realizado no período em que o deputado foi o terceiro mais votado na cidade.
“Estou bem tranquilo. A função do parlamento é colocar a emenda. Não temos controle sobre o que acontece na execução lá na ponta. Confio na justiça e nos órgãos controladores; em breve tudo será esclarecido”, afirmou o deputado.

O “Tribunal de Casa” e a Medicina
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Visivelmente emocionado ao falar da família, Eduardo Veloso descreveu o impacto emocional de ver sua vida exposta. Filho do pioneiro Dr. Paulo Veloso e casado com a cardiologista Dra. Regiane Veloso, o deputado afirmou que o desafio mais difícil é explicar a situação aos três filhos.
“O tribunal mais difícil é o tribunal de casa. Ter a certeza que não fez nada e ver os filhos escutarem boatos na escola machuca, dói. Mas passo a eles a confiança de que nada vai acontecer”, desabafou.
Veloso também fez um paralelo entre sua profissão de origem e a política. Segundo ele, na medicina o diagnóstico precisa ser rápido para salvar o paciente, enquanto na justiça o tempo é lento e, muitas vezes, usado de forma política, especialmente em anos eleitorais.
Foto: Dr. Eduardo Veloso
Legado e Futuro Político
Mesmo diante do desgaste, o parlamentar reafirmou sua pré-candidatura ao Senado, alegando que “ninguém joga pedra em árvore que não dá fruto”. Ele relembrou conquistas na área da saúde, como a modernização da oftalmologia no Acre e os avanços na cardiologia local, que hoje permitem tratamentos de alta complexidade sem a necessidade de deslocamento aéreo.
Ao final, Veloso reiterou que sua trajetória foi construída “tijolo por tijolo” e que encara o momento atual como um teste de resiliência. “A política precisa ser feita de mostrar o que se fez e o que se pode fazer. E nós temos trabalho para mostrar”.
Foto: Jornalista José Aleksandro
FINAL DO PROGRAMA:
Neste domingo,15, nós falamos sobre política…mas, acima de tudo, falamos sobre ser humano. Falamos sobre reputação. Falamos sobre honra. Falamos sobre a dor, que muitas vezes uma família inteira enfrenta, quando a vida pública se mistura com acusações e julgamentos. A democracia precisa de investigação, precisa de justiça, precisa punir culpados. Mas a democracia também precisa proteger algo essencial: A dignidade das pessoas. (pausa). Porque reputações podem ser atacadas…mas a verdade sempre encontra o seu caminho. Muito obrigado pela sua presença. Boa noite… e até o próximo X da Questão. Por José Aleksandro Jornalista e apresentador
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VEJA O EDITORIAL DO PROGRAMA:
EDITORIAL — O TRIBUNAL DAS REPUTAÇÕES
Vivemos um tempo estranho. Um tempo em que uma acusação pode pesar mais que uma vida inteira de trabalho. Um tempo em que manchetes viram sentenças…e a reputação de uma pessoa pode ser destruída antes que a Justiça tenha sequer começado a julgar uma denúncia. Hoje, no Brasil, muitas vezes o julgamento vem antes da prova. E é exatamente sobre isso que precisamos refletir.
A reputação é uma construção silenciosa. Ela nasce no caráter. No trabalho. Na coerência de uma vida inteira. Não se constrói em uma eleição…não se constrói em um cargo…não se constrói em um discurso. A reputação se constrói ao longo de décadas. Mas existe um ambiente onde essa reputação passa a correr um risco enorme: a política. Quando alguém entra na vida pública, muitas vezes entra também em um território onde a disputa deixa de ser apenas de ideias. E passa a ser também uma disputa de narrativas e destruição de imagem. Esses episódios mostram algo muito preocupante: O país passou a viver um tempo em que a reputação pode ser destruída antes que a verdade seja plenamente estabelecida. E esse fenômeno não se limita à política nacional. Ele chega aos estados. Ele chega às cidades. Ele chega às pessoas que ousam entrar na vida pública. Aqui no Acre, um caso que tem provocado debate é o do médico Eduardo Veloso. Um profissional da área da saúde que construiu sua trajetória e decidiu entrar na política. E, como tantos outros casos na história do país, sua reputação passou a ser colocada no centro de uma disputa pública. Não cabe a este espaço julgar processos. Essa é uma missão da Justiça. Mas cabe à sociedade lembrar de algo que deveria ser inegociável em qualquer democracia: A presunção de inocência. A Constituição brasileira é clara: Ninguém pode ser considerado culpado antes de decisão definitiva. Quando ignoramos esse princípio…abrimos um caminho extremamente perigoso. Porque hoje pode ser um político. Amanhã pode ser qualquer cidadão. Destruir reputações é fácil. Uma manchete resolve. Um boato resolve. Uma narrativa resolve. Mas reconstruir uma história de vida…isso leva décadas. E às vezes nunca acontece. A política precisa de investigação. Precisa de fiscalização. Precisa de transparência. Mas nunca pode aceitar que a destruição da honra das pessoas vire instrumento de disputa política. Porque quando isso acontece…não estamos apenas destruindo um adversário. Estamos enfraquecendo a própria democracia. “Uma acusação pode destruir em minutos o que uma vida inteira levou décadas para construir”; “Democracia de verdade não condena pela manchete — condena pela prova.” e “Quando reputações são destruídas antes da Justiça sentenciar, o país inteiro perde.”
(final – olhar direto para a câmera) – A democracia precisa de investigação. Precisa de justiça. Precisa punir culpados. Mas também precisa proteger algo essencial: A honra das pessoas. (pausa), Porque quando uma sociedade passa a destruir reputações antes da verdade…não estamos diante de justiça. Estamos diante de um linchamento. (pausa longa). E nenhum país constrói um futuro justo…quando transforma acusações em sentenças e boatos em condenações. (pausa)
Eu sou José Aleksandro Jornalista e apresentador do X da Questão





