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domingo, 5 de julho de 2026
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O desafio para chegar ao Congresso dos candidatos à ‘bancada do 8 de Janeiro’

Publicado em 17/05/2026

Invasão ao Congresso Nacional, STF e Palácio do Planalto, em Brasília – (Evaristo Sa/AFP)

Especialista diz que novatos vão disputar nas próximas eleições um nicho de eleitores que já é dominado por políticos tradicionais

Por Hugo Marques | Veja

Uma reportagem publicada na edição impressa de VEJA desta semana mostra
que parentes, advogados e acusados de envolvimento nos ataques do dia 8 de
janeiro se filiaram a partidos políticos e vão tentar formar uma bancada no
Congresso Nacional.

A Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (Asfav) calcula que
mais de 50 pessoas com alguma ligação com o processo da trama golpista
deverão concorrer a cargos legislativos em todo o país.

Estão na lista Cláudia Rodrigues (Novo-SP), irmã de Débora Rodrigues, a
‘Débora do Batom’, e Luíza Cunha (PL-DF), filha do empresário Cleriston
Pereira da Cunha, o Clezão, que morreu no presídio da Papuda, em Brasília,
enquanto aguardava julgamento.

Em 2023, vândalos invadiram e depredaram as sedes do Palácio do Planalto,
do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Após a prisão de 1.400
manifestantes, o Supremo condenou 850 pessoas por tentativa de golpe de
Estado e associação criminosa.

O diretor jurídico da Asfav, Ezequiel Silveira, acredita no potencial de votos
dos noviços. “A pauta de freios e contrapesos do Senado em relação ao
Supremo com certeza vai dar mais visibilidade aos candidatos”, diz Ezequiel.

A entidade, aliás, terá sua própria candidata. A advogada Carolina Siebra, que
defendeu mais de 600 acusados, vai disputar uma vaga na Câmara dos
Deputados pelo Ceará. Sua plataforma se concentra em críticas ao STF e nas
sentenças aplicadas aos réus. “Hoje as pessoas entendem que as penas foram
injustas. Existe um sentimento de que os acusados deveriam ser punidos pela
quebradeira, mas jamais por golpe de Estado”, diz.

Para o cientista político Christian Lynch, doutor pelo Instituto Universitário de
Pesquisas do Rio de Janeiro, é improvável que o Congresso tenha na próxima
legislatura uma bancada formada exclusivamente por personagens ligados ao
8 de Janeiro. “Eles vão disputar um nicho de eleitores ocupado por políticos de
direita já estabelecidos”, ressalta Lynch.

Além disso, segundo o cientista, os possíveis eleitores de representantes do 8
de janeiro se encontram numa faixa muito específica da sociedade. “Os
candidatos vão ter que buscar votos nesses nichos, oriundos da repressão às
tentativas de golpe de Estado. Disputarão o voto da direita extremista, aquele
simpatizava com a tentativa de golpe de Estado, gente muito radicalizada”,
afirma Lynch.

 

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