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Lula quer a vaga de Toffoli no STF para desatar nós

Publicado em 15/02/2026

Em 2009, Lula foi à posse de Toffoli no STF
Imagem: U.Dettmar

Por Alexandre BorgesColunista do UOL

O bloco do Lula entra na avenida com a Acadêmicos de Niterói, sambando em cima da legislação eleitoral, mas seu Carnaval tem outro enredo: a vaga de José Antonio Dias Toffoli no STF. A queda de seu ex-amigo e advogado, segundo fontes próximas do Planalto, é parte de uma triangulação que envolve o próprio Supremo, o Senado e até a política de Minas Gerais.

Até a estátua pichada por Débora Rodrigues dos Santos sabe que Lula não perdoa Dias Toffoli desde 2019, quando tomou decisões que o presidente considerou humilhantes no episódio do falecimento de seu irmão Genival Inácio da Silva, o “Vavá”. O próprio ministro já quis se desculpar, mas as tentativas foram infrutíferas.

Lula também não engoliu a aproximação de Dias Toffoli com Jair Bolsonaro no ano seguinte, uma relação simbolizada pela visita amistosa do ex-presidente à casa do ministro em outubro de 2020 e eternizada por uma foto com um abraço apertado na chegada do atual inquilino da Papudinha.

Toffoli recebeu Bolsonaro em sua residência em 2020
Imagem: 3.out.2020 – Reprodução/CNN Brasil

Com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso em outubro, Lula sinalizou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, o “Bessias”, para o lugar, o que irritou profundamente o presidente do Senado Davi Alcolumbre, que operava pela indicação de seu protegido e antecessor, Rodrigo Pacheco.

Desde então, o Senado tem sido uma pedra no sapato do governo, travando pautas importantes e mantendo Lula sob a mira de Alcolumbre, numa sinuca de bico que não parecia ter uma saída fácil. Até Dias Toffoli confrontar a Polícia Federal no caso Master nas últimas semanas e mostrar ao presidente uma luz no fim deste túnel de incertezas e constrangimentos.

Dias Toffoli foi alvo de um relatório de duzentas páginas, produzido pela PF comandada por Andrei Rodrigues, fiel escudeiro de Lula, que provocou um terremoto político em Brasília nos últimos dias. Uma crise que está longe de terminar.

Na tensa reunião convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, a tentativa de se estancar a hemorragia institucional com uma nota conjunta e da saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Master foi pouco mais que um analgésico leve e com efeito limitado, mas ainda dentro do esperado pelo Planalto.

Com a situação de Dias Toffoli cada vez mais insustentável, Lula tem a chance de, a seu juízo, desatar muitos nós num único movimento. O que se diz em Brasília é que a articulação teria também a simpatia de Alcolumbre.

Se o ministro enrolado cair, o STF passa a ter duas vagas abertas, o que é perfeito
para acomodação tanto de Jorge Messias quanto de Rodrigo Pacheco, contentando os
presidentes da República e do Senado, que poderia destravar as pautas do governo na
casa.

Há ainda um ganho adicional em vista: com Pacheco no STF, Lula tem a chance de
colocar um nome mais popular e competitivo na disputa do governo de Minas Gerais,
segundo maior colégio eleitoral do país.

Pacheco é hoje um candidato que patina nas pesquisas, mal pontuando dois dígitos na
preferência do eleitor contra oposicionistas de peso, além de uma rejeição altíssima,
acima dos 50%. O ex-presidente do Senado é visto como alguém com chances remotas
de chegar ao Palácio Tiradentes e um “palanque fraco” para Lula num estado
absolutamente estratégico para a sua reeleição. Sua entrada no STF seria uma saída
mais que honrosa da eleição mineira.

Para que Dias Toffoli troque Brasília de vez pelo Tayayá, serão necessários ainda
muitos vazamentos constrangedores para a imprensa e o convencimento de seus pares
de que é a única saída para a preservação da imagem e da legitimidade da mais alta
corte do país.

No papel, tudo funciona, mas aposentar um ministro do STF com 58 anos de idade e
nenhuma disposição aparente de deixar o cargo é mais difícil do que acompanhar o
ziriguidum de Lula na Sapucaí.

Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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