Publicado em 26/05/2026
Jair Bolsonaro não tem o menor apreço aos partidos; prova disto é que já foi filiado a uma dezena deles. Os partidos políticos determinam as regras que seus filiados deverão seguir, e as principais delas constam expressas nos seus respectivos estatutos, sobretudo aquelas que mais os identificam.
Os rótulos “direita e esquerda” — apenas rótulos — são os mais comuns e abrangentes, embora existam denominações do tipo: extrema-esquerda, esquerda e centro-esquerda e, de outro lado, extrema-direita, direita e centro-direita, além do indispensável “centro” para distingui-los. Nos países em que os partidos políticos têm donos, ao invés dos estatutos, passam a prevalecer as vontades de seus donatários.
A mal-ajambrada descrição acima foi a que encontrei para definir o quão bagunçado é o nosso sistema partidário, a começar pelo elevadíssimo número de partidos políticos. Figuras expressivas do nosso mundo político, com destaque para Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, já pertenceram a uma dezena deles, tudo em atendimento às suas próprias ideologias ou, mais precisamente, às suas ambições pessoais.
Dois dos nossos ex-presidentes chegaram a ser eleitos por determinados partidos e os abandonaram ainda no curso dos seus mandatos: Fernando Collor, pelo PRN (este já morto e sepultado), e Jair Bolsonaro, pelo PSL (também já morto e sepultado).
Na disputa eleitoral ora em curso, como se a nossa bagunça eleitoral já não bastasse, as denominações “direita/esquerda” foram substituídas por duas outras: o bolsonarismo e o lulismo. Em relação ao bolsonarismo, e as evidências estão aí para comprovar, as melhores colocações terão que ser ocupadas por quem dispuser do sobrenome Bolsonaro. Disto adveio a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência; se não fosse ele, seria Michelle Bolsonaro, sua esposa.
Enquanto a chamada direita esperava pela candidatura de Tarcísio de Freitas para se confrontar com o atual presidente Lula — este em busca do seu 4º mandato presidencial —, por se encontrar inelegível, Jair Bolsonaro tirou do bolso do seu colete o nome do seu filho, Flávio Bolsonaro.
Como no meio do caminho a ser percorrido pelo já anunciado candidato Flávio Bolsonaro existiriam várias pedreiras a serem enfrentadas, eis que surgiu o ladravaz Daniel Vorcaro e jogou a sua candidatura na pior situação possível. Afinal de contas, e contradizendo o próprio candidato Flávio Bolsonaro, toda a roubalheira do Banco Master — o maior escândalo financeiro da nossa história — já foi posta em sua conta.
Se a nossa chamada direita se deixou levar pelo bolsonarismo, agora é tarde para arrependimentos, até porque Inês está morta.

