26.3 C
Rio Branco
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
O RIO BRANCO
AcreGeral

Governo do Acre prepara comunidades indígenas para participar de chamadas públicas da alimentação escolar

Publicado em 19/10/2025

O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), tem ido além da abertura de editais para a compra de alimentos da agricultura familiar. No âmbito do Programa REM, o Estado tem trabalhado para orientar e acompanhar comunidades indígenas, de modo que possam participar de forma autônoma das chamadas públicas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Essa iniciativa fortalece as comunidades indígenas ao garantir a compra direta de alimentos cultivados em seus próprios territórios, respeitando e valorizando suas tradições alimentares, saberes ancestrais e modos de vida, além de gerar renda e reforçar a identidade cultural por meio da merenda escolar.

Em Porto Walter, os povos Shawãdawa concluíram nesta semana a oficina de execução da chamada pública, promovida no âmbito do Programa REM-KfW. Foto: cedida

A iniciativa também está sendo realizada em Assis Brasil, com os povos Jaminawa e Manchineri; em Sena Madureira, com os Jaminawa do Caeté e as famílias da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema; em Feijó e Tarauacá, com os Huni Kui e Ashaninka; e em Mâncio Lima, com os povos Puyanawa, Nawa e Nukini. Durante as formações, técnicos da SEE e da Emater explicam todo o processo de participação nas chamadas, desde o cadastramento das associações até a entrega dos produtos nas escolas, incluindo orientação sobre documentação, padrões de qualidade, transporte e planejamento da produção, para que as comunidades estejam aptas a fornecer de forma segura e contínua.

Formação marca o início das entregas da produção local às escolas indígenas do município. Foto: cedida

O secretário de Estado de Educação e Cultura, Aberson Carvalho, destacou que o objetivo é transformar o processo de compra da merenda em uma política de fortalecimento das economias locais. “Não adianta abrir uma chamada se as pessoas não sabem como participar. Estamos levando conhecimento, assistência técnica e autonomia para que as comunidades sejam protagonistas. A merenda escolar é também uma política de desenvolvimento social e econômico”, afirmou.

A prática tem mostrado resultados. Em Feijó, os Huni Kui da Terra Indígena Kaxinawá do Rio Envira já entregam alimentos como banana, farinha, macaxeira, batata-doce e frutas regionais para a merenda escolar. A produção é feita de forma tradicional e sustentável, preservando o modo de vida indígena e garantindo uma alimentação saudável para os estudantes.

O Acre também recebeu R$ 24 milhões em investimentos federais para incentivo à agricultura familiar e fortalecimento da segurança alimentar. O recurso será aplicado em assistência técnica, equipamentos e apoio à produção de alimentos regionais nas comunidades do interior. As chamadas públicas do PNAE determinam que ao menos 30% dos recursos da alimentação escolar sejam destinados à agricultura familiar, priorizando povos indígenas e comunidades tradicionais. Ao unir capacitação e investimento, o governo do Acre tem trabalhado para transformar o que antes era apenas uma exigência legal em uma ponte real entre educação, alimentação saudável e respeito à cultura dos povos originários.

[Agência de Notícias do Acre]

Compartilhe:

Artigos Relacionados

No Acre vizinho é condenado por abusar do volume do karaokê na madrugada

Jamile Romano

Estado interdita trecho na Avenida Ceará para garantir agilidade e segurança na execução dos serviços do Complexo Viário

Raimundo Souza

MPAC atua para garantir reforço de médicos especialistas no Hospital Raimundo Chaar

Jamile Romano

Procon realiza ação educativa no Dia do Cliente em Rio Branco e Tarauacá

Marcio Nunes

Vice-governadora Mailza representa o Acre em painéis na COP30 e fortalece cooperação internacional pelo clima

Raimundo Souza

Deputado Roberto Duarte Expressa Solidariedade a Bolsonaro: “Justiça Não Pode Ser Usada Como Arma Política”

Raimundo Souza