Publicado em 23/06/2026
Para além de ecumênico, Daniel Vorcaro se revelou tóxico e altamente contagioso.
No ano de 2019, primeiro ano da gestão de Jair Bolsonaro enquanto presidente da nossa República, Daniel Vorcaro não passava de um estreante no nosso delicado e disputadíssimo mercado bancário. Entretanto, no curto espaço de quatro anos, ao adquirir a massa falida do então Banco Máxima e rebatizá-lo com a denominação de Banco Master, feito um foguete, não apenas no nosso ambiente político-partidário, bem como nos nossos ambientes sociais, o dito-cujo não parava de crescer, a ponto de afrontar os nossos mais destacados bancos, entre eles o Itaú, o Bradesco, etc.
Como quem imaginava fazer do seu banco o que acabou fazendo — ou seja, torná-lo uma instituição de inequívoco e absoluto sucesso —, o dito-cujo buscou se cercar de tantos quantos pudessem ajudá-lo na sua arriscada e dificílima missão. Afinal de contas, tornar-se banqueiro seria um desafio, redundâncias à parte, altamente desafiador.
Em princípio, o aparente prestígio do Banco Master e do próprio Daniel Vorcaro sempre era exaustivamente saudado, posto que, apartidariamente, nem mesmo a nascente polarização “Bolsonaro/Lula” o impedia de se cercar de gentes poderosas.
A propósito, nas suas corriqueiras festanças ele fazia questão de colocar os lulistas e os bolsonaristas para sentarem-se à mesma mesa e, juntos, bebericarem os melhores vinhos e os melhores whiskies.
Não se fazer presente às suas fenomenais e espetaculares festanças — estas apelidadas de “festas de arromba” — seria desprestígio, em especial àqueles que ocupavam as mais destacadas e relevantes funções nos nossos ambientes públicos e/ou privados.
Ao final do mandato do então presidente Jair Bolsonaro, tanto o Banco Master quanto o seu dono, Daniel Vorcaro, pouco se preocupavam com o retorno do presidente Lula ao poder. Afinal de contas, muitos lulistas haviam participado das festanças que o dito-cujo havia patrocinado.
Não por acaso, lulistas da gema — entre eles o ex-ministro do STF, Ricardo Lewandowski, o ex-ministro Guido Mantega e o senador Jaques Wagner — chegaram a prestar assessorias ao Banco Master. E, em relação ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, a sua esposa, Viviane Barci de Moraes, esteve à disposição do Banco Master e do próprio Daniel Vorcaro.
Quando o presidente Lula retornou ao poder para exercer o seu terceiro mandato, tanto o Banco Master quanto o próprio Daniel Vorcaro já se encontravam altamente prestigiados, mas, a bem da verdade, diga-se: foi no curso do seu terceiro mandato que o escândalo do Banco Master veio a público e passou a ser investigado. Portanto, quem tiver conta a pagar por ter se envolvido com o tóxico Daniel Vorcaro, que pague agora.

