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Dólar cai abaixo de R$ 5 com ameaças de Trump ao Irã; Ibovespa avança

Publicado em 13/04/2026

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por Redação g1

Na sexta-feira (10), a moeda americana recuou 1,02%, negociada a R$ 5,0112, de olho nas negociações de paz entre EUA e Irã marcadas para este sábado. O principal índice da bolsa de valores avançou 1,12%, aos 197.324 pontos.

O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (13), mas inverteu o sinal no início da tarde e passou a operar abaixo de R$ 5. Por volta das 15h, a moeda americana caía 0,36%, cotada a R$ 4,9931.

Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, que recuava 0,12%, passou a subir 0,24%, aos 197.806 pontos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que destruirá qualquer navio iraniano que se aproximar do bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz da mesma forma que fez com embarcações no Caribe durante operações contra o tráfico de drogas.

Nesta manhã, no horário de Brasília, entrou em vigor o bloqueio que Trump havia anunciado a navios que circulem pelo Estreito de Ormuz com saindo ou chegando a portos iranianos.

Dois petroleiros associados ao Irã deixaram o Golfo Pérsico nesta segunda-feira, enquanto outras embarcações passaram a evitar o Estreito de Ormuz. A medida abalou o mercado de transporte marítimo em um dos principais pontos de passagem do comércio global.

Por volta das 9h07 (horário de Brasília), o Brent subia 7,67%, negociado a US$ 102,50 por barril. À tarde, avançava 4,92%, a US$ 99,88. Já o WTI, que subia 7,83% pela manhã, a US$ 104,13, avançava 3,25% à tarde, a US$ 99,71.

No Brasil, o destaque é o Boletim Focus, divulgado nesta manhã pelo Banco Central do Brasil (BC). Segundo o relatório, a expectativa para a inflação em 2026 no Focus superou o teto da meta em meio às preocupações decorrentes da guerra no Oriente Médio. O levantamento apontou que a expectativa para a alta do IPCA este ano subiu a 4,71%, de 4,36% antes, na quinta semana seguida.

Investidores também acompanham declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em encontros do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Bloqueio naval ao estreito de Ormuz

Após um cessar-fogo cambaleante entre Estados Unidos e Irã na semana passada, Donald Trump prometeu implantar um bloqueio naval no Estreito de Ormuz a partir desta segunda-feira.

Segundo o Exército dos EUA, qualquer navio que entrar ou sair de um porto no Irã será interceptado. Em resposta, o Irã afirmou que poderá retaliar portos caso a medida seja efetivada.

Por causa da tensão, apenas poucos navios ligados ao Irã saíram do Golfo Pérsico, e o movimento na área caiu bastante. Ao mesmo tempo, há risco de conflito, já que o Irã avisou que pode reagir.

Mesmo com o bloqueio, os EUA disseram que não vão impedir a passagem de navios que não tenham relação com o Irã. Ainda assim, a incerteza já está afetando o transporte e o mercado de petróleo.

Rússia, China e União Europeia criticaram tanto o Irã quanto os EUA pela obstrução da rota. Em meio ao risco de uma nova escalada militar, o preço do petróleo voltou a subir.

No fim de semana, negociações consideradas históricas no Paquistão entre EUA e Irã terminaram sem acordo. O vice-presidente americano, JD Vance, deixou o país após afirmar que as tratativas foram encerradas na madrugada de domingo (sábado no Brasil), após a recusa de Teerã em aceitar os termos de Washington para não desenvolver uma arma nuclear.

As conversas de “alto nível” duraram 21 horas e, segundo Vance, ocorreram com ele em contato constante com Donald Trump e outros integrantes do governo.

Vance afirmou a jornalistas que Washington precisa de um compromisso claro de que o Irã não buscará desenvolver uma arma nuclear nem os meios que permitiriam obtê-la rapidamente.

Agenda econômica

Boletim Focus

A expectativa do mercado para a inflação no Brasil piorou, segundo as projeções do novo Boletim Focus. Para 2026, a projeção subiu para 4,71%, acima do teto da meta do Banco Central, principalmente por causa das tensões no Oriente Médio, que estão elevando o preço do petróleo.

Mesmo assim, a previsão para os juros não mudou: a taxa Selic deve terminar 2026 em 12,50% e 2027 em 10,50%, com expectativa de um pequeno corte já na próxima reunião.

O crescimento da economia (PIB) segue estável:

  • 1,85% em 2026
  • 1,80% em 2027

Já o dólar teve leve queda nas projeções:

  • R$ 5,37 em 2026
  • R$ 5,40 em 2027

Mercados globais

Em Wall Street, as principais bolsas do mercado operavam em queda nesta manhã. Dow Jones caía 0,63%, S&P 500 recuava 0,03%. Nasdaq, por outro lado, subia 0,15%.

Na Europa, os mercados também estão em queda: DAX, da Alemanha, recuava 0,50%; o CAC 40, da França, caía 0,49%; enquanto os índices de Londres registravam baixa de 0,27%.

Na Ásia, as bolsas da China e de Hong Kong tiveram um dia mais instável e fecharam perto da estabilidade após as negociações entre EUA e Irã no Oriente Médio fracassaram.

Com o risco de conflito maior — incluindo a ameaça de bloqueio marítimo pelos EUA — os investidores ficaram mais cautelosos e evitaram fazer grandes apostas, o que limitou os ganhos dos mercados.

Além disso, há expectativa pela divulgação de dados importantes da economia chinesa nos próximos dias, como comércio e crescimento do PIB, o que também deixou o mercado em compasso de espera.

Com isso, o índice de Xangai subiu levemente 0,06%, e o CSI300 avançou 0,21%, recuperando perdas do início do dia. Já o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,9%.

Outros mercados também recuaram: o Nikkei, no Japão, caiu 0,74%, e o Kospi, da Coreia do Sul, perdeu 0,86%. Taiwan teve leve alta de 0,11%, e Austrália e Singapura registraram pequenas quedas.

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