Publicado em 07/07/2026
A polarização política esquerda/direita não distingue o certo do errado.
As minhas referências políticas não se restringem a rótulos, e sim ao que é errado ou certo; ou, mais precisamente, ao que deva ser feito e ao que deva ser evitado. Fazer o bem sem olhar a quem é uma das mais belas e sábias expressões de solidariedade, até porque quem planta ventos corre o sério risco de colher tempestades.
Norman Vincent Peale, autor do clássico O Poder do Pensamento Positivo, já fez várias citações sobre o otimismo, e a mais conhecida e emblemática de todas diz: “mude seus pensamentos e você poderá mudar o seu mundo”. Portanto, quem diz que pretende mudar o mundo porque é de direita e/ou de esquerda, quase sempre advoga em causa própria, já que ninguém, por natureza, defende algo que sabe que é errado.
Na nossa atividade política, os nossos candidatos sempre se dizem predispostos a mudar o mundo; entretanto, após eleitos, pouco ou nada fazem nesse sentido. Nada mais exemplificativo dessa inaceitável realidade que assistirmos às mais gravíssimas acusações que estão sendo trocadas entre aqueles que se dizem de direita contra aqueles que se dizem de esquerda, e vice-versa.
Na disputa eleitoral ora em curso, se os nossos principais candidatos fossem responsabilizados pelas suas próprias acusações, nem o presidente Lula e nem o seu opositor Flávio Bolsonaro teriam suas candidaturas sequer aceitas pela nossa Justiça Eleitoral.
Enquanto o nosso mundo carece de urgentes mudanças, eis que surge um larápio do tipo Daniel Vorcaro e, em aliança com os medalhões da nossa esquerda e da nossa direita, juntos promoveram o maior escândalo da nossa história. Pior ainda: no meio deles, alguns figurões do nosso mundo religioso se fazem presentes. Qual é o Deus dessa gentalha?
Como não há mais tempo para que as nossas mudanças aconteçam antes da nossa próxima eleição, estamos condenados a chegar ao quadriênio 2027/2030 atolados, até os nossos gogós, na perversa polarização “Lula/Bolsonaro” — e, muito provavelmente, com o presidente Lula no comando do nosso país, até porque as chances de o seu opositor Flávio Bolsonaro ser eleito simplesmente inexistem.
O nosso país, lamentavelmente, nunca se prestou, nem de longe, como exemplo, já que fomos empurrados para o caos, posto que o nosso sistema partidário não possibilita que as melhorias do nosso sistema democrático venham a acontecer.
Se o que aconteceu no dia 08 de janeiro de 2023 não foi uma tentativa de golpe de Estado, resta-nos esperar por outra, a exemplo das muitas que já aconteceram desde a proclamação da nossa própria República?

