Publicado em 13/05/2026
Sempre desconfio quando percebo alguém endeuzando o lulismo e endiabrando o bolsonarismo. E vice-versa.
Se maldito é o país que precisa de heróis, segundo Bertolt Brecht, por que nós, brasileiros, insistirmos em “heroicizar” o lulismo e satanizar o bolsonarismo? Nada mais previsível, já que ambos caminham por caminhos bastante extremados e, portanto, bastante erráticos.
Eu mesmo, nas próximas eleições, preferiria que os nomes do presidente Lula e alguém com o sobrenome Bolsonaro não constassem nas nossas urnas eletrônicas, particularmente, na condição de candidatos a presidência da nossa República, e isto porque, em prevalecendo suas próprias acusações e as dos seus aliados, nenhum dos dois mereceria o meu voto, um por se um ladrão de nove dedos e o outro um golpista. Somente os porcos costumam chafurdarem no lodaçal.
Sejamos sinceros: nada mais contraditório para a nossa ou qualquer outra democracia quando os seus eleitores são arrastados pelo ódio e não pela competência dos seus candidatos, ou mais precisamente, pela suas desonras e não pelas suas honras e capacidades.
À seu tempo e indignado com a corrupção e a decadência moral em sua época, Cícero, o maior filósofo entre todos os romanos, assim se expressou: “Ó tempos, Ó costumes!”
Presentemente, ao assistirmos as trocas de acusações entre lulistas e bolsonaristas e sendo a grande maioria delas francamente manipuladas via fake News, e não raramente, acompanhadas das impressionantes deep Fakes, tem ficado cada vez mais difícil se identificar quem é honrado e quem não a tem e a verdade da mentira.
Neste particular e graças aos extraordinários avanços dos nossos meios de comunicação, em particular, a internet, as legiões dos blogueiros que trabalham à soldo, sendo mais preciso, a título de aluguel, vem se tornado cada vez mais freqüentes.
Como uma mentira costuma dar várias voltas no quarteirão enquanto a verdade sequer tenha chegado às ruas, o mesmo não acontece com a verdade, já que esta caminha a passos bastante lentos, porém seguros.
Ainda que o prazo determinado para a divulgação da propaganda eleitoral visando às próximas eleições ainda não tenha chegado, o da anti-propaganda dos seus candidatos, já há bastante tempo vem tomando conta dos nossos principais meios de comunicação, e em particular, das nossas venenosas e endiabradas redes sociais.
Nada será mais desafiador para a nossa Justiça Eleitoral do que deter as ondas dos blogueiros que já se encontram prontos e preparados para prestarem os seus nocivos desserviços no curso das nossas próximas eleições, e desta vez, contando com a ajuda da IA-Inteligência Artificial.

