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Delação premiada

Publicado em 16/06/2026

Nada contra o instituto da delação premiada, conquanto ele contribua para elucidar determinados crimes.

O nosso aparato jurídico-policial, em relação ao ladravaz Daniel Vorcaro, já dispõe de todas as informações que se faziam necessárias para puni-lo como comandante em chefe da maior organização criminosa que já chegou a se estabelecer no nosso país.

Portanto, não se faz necessário que tenhamos de esperar uma delação do dito-cujo para que ele venha a ser justa e merecidamente punido; afinal de contas, a quantidade de provas que o incriminam já foi obtida, e em abundância.

Assim, nada justifica que as nossas autoridades, como se diz na gíria, estejam “engolindo a corda” que o próprio ladravaz vem lançando com um único pretexto: prejudicar as investigações e, ao final, ser premiado.

Nada disso: a punição do referido ladravaz precisa restar como exemplo, do contrário, novos escândalos poderão surgir e, quem sabe até, seguindo as mesmas pegadas. Portanto, fez bem a nossa PF (Polícia Federal) quando rejeitou a primeira proposta de delação feita por Daniel Vorcaro e, ao que tudo está nos levando a crer, a segunda proposta também será rejeitada — a não ser que ele próprio decida esclarecer ao conjunto das autoridades investigatórias algumas informações que ainda não haviam chegado ao conhecimento da nossa Polícia Federal nem do nosso Ministério Público.

Daniel Vorcaro, pela quantidade de crimes que cometeu em tão pouco tempo, precisa ser exemplarmente punido. Afinal de contas, nunca na nossa história um criminoso havia chegado tão longe e envolvido tantos medalhões do nosso mundo social e político.

A propósito, dois ministros do nosso STF (Supremo Tribunal Federal) estão tendo que dar explicações em razão de os seus nomes aparecerem como cúmplices das tramas do próprio Daniel Vorcaro.

De outro lado, urge que o presidenciável Flávio Bolsonaro esclareça os reais motivos que o levaram até a residência de Daniel Vorcaro para fazer uma cobrança de mais de R$ 60 milhões — grana esta, supostamente, para financiar um filme em homenagem ao seu pai, Jair Bolsonaro. O referido filme iria se prestar como peça de propaganda de sua própria campanha eleitoral.

Com ou sem a delação do ladravaz Daniel Vorcaro, os crimes derivados do escândalo do Banco Master carecem ser elucidados antes das nossas próximas eleições, até porque, se alguns inocentes estão sendo ameaçados, esta seria a forma de se livrarem das suspeitas que os incomodam. Na nossa história criminosa, Daniel Vorcaro precisa ser lembrado como tendo sido o primeiro e o único.

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