Publicado em 10/01/2026
Os cortes no orçamento da educação federal para 2026 preocupam os Institutos Federais e podem afetar ações essenciais de ensino e assistência estudantil.
A decisão do Congresso Nacional de reduzir os recursos destinados à educação federal para 2026 acende um sinal de alerta nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia em todo o país. A medida, aprovada durante a tramitação do orçamento, impõe restrições financeiras que podem comprometer o funcionamento de atividades essenciais dessas instituições, especialmente nas regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos.
Nos Institutos Federais, o orçamento discricionário — cuja redução foi definida pelo Legislativo — é responsável por custear despesas básicas do dia a dia, como pagamento de água, energia elétrica, vigilância, limpeza e manutenção predial. Além disso, esses recursos financiam políticas fundamentais, como a assistência estudantil e o apoio às ações de ensino, pesquisa, extensão e inovação. Com os cortes aprovados pelo Congresso, a capacidade de manter esse conjunto de atividades passa a ser limitada.
Impacto direto no Instituto Federal do Acre (Ifac)
No caso do Instituto Federal do Acre (Ifac), a redução orçamentária será de 7,16% em relação ao valor inicialmente previsto para 2026. Embora o percentual possa parecer pequeno à primeira vista, o impacto prático é significativo. Um mês completo do orçamento anual do Ifac corresponde a cerca de 8,33%, o que significa que a instituição perde, na prática, quase um mês inteiro de capacidade financeira para funcionar.
Segundo o pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional do Ifac, Ubiracy Dantas, o corte atinge todas as áreas de forma proporcional. Isso inclui a assistência estudantil, o fomento à pesquisa, o custeio das contas básicas e os auxílios voltados às atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação.
“O impacto direto no Ifac que apuramos até agora é de aproximadamente R$ 1,8 milhão. Quando olhamos para toda a Rede Federal, estimamos que esse impacto chegue próximo de R$ 200 milhões”, explica o pró-reitor. Ele ressalta que a redução ocorre em um contexto já desafiador, marcado por aumento de custos operacionais e contratos reajustados pela inflação.
Assistência estudantil entre as áreas mais sensíveis
Entre os setores mais afetados pelos cortes está a assistência estudantil, considerada estratégica para a permanência dos alunos. No Ifac, muitos estudantes dependem de auxílios de alimentação, transporte e moradia para continuar frequentando os cursos. A redução de recursos nessa área pode impactar diretamente jovens de baixa renda, moradores da zona rural, comunidades indígenas, ribeirinhas e estudantes que precisam se deslocar grandes distâncias até os campi.
Além disso, ações de pesquisa aplicada, projetos de extensão voltados às comunidades locais e iniciativas de inovação também correm o risco de sofrer retração, reduzindo o alcance social do Instituto.
Preocupação da Reitoria com o cenário para 2026
Diante desse panorama, a Reitoria do Ifac manifesta preocupação com os reflexos dos cortes no médio e longo prazo. Para a gestão, a redução de recursos compromete não apenas o funcionamento administrativo, mas o papel social da instituição.
“O Ifac cumpre uma missão fundamental no Acre: levar educação pública e de qualidade a quem mais precisa. Quando o orçamento é reduzido, não estamos falando apenas de números, mas de estudantes que podem perder apoio, de projetos que deixam de ser executados e de oportunidades que deixam de chegar às comunidades. A nossa preocupação é garantir que, mesmo diante desse cenário, o Instituto continue cumprindo seu papel social. Para isso, é fundamental que a educação permaneça como prioridade nas decisões orçamentárias do país”, afirmou o reitor, Fábio Storch de Oliveira.
Texto: Manassés Carvalho | ifac.edu.br

