Publicado em 03/07/2026
Foto: Divulgação
Por Alessandra Karoline
A organização do 1º Rally Internacional da Amazônia concluiu a sua terceira visita técnica de inspeção e anunciou mudanças estratégicas no itinerário e no calendário da competição que promete integrar a região norte do Brasil à Guiana Francesa. O evento, originalmente planejado para alcançar o Suriname, teve o escopo reajustado por questões logísticas e agora está oficialmente confirmado para ocorrer entre os dias 24 e 28 de novembro de 2026, mantendo o total de 1.203 quilômetros de desafios.
A alteração mais significativa foi a exclusão de Paramaribo, capital do Suriname, da rota oficial. De acordo com Perpétua Mourão, presidente da Federação Amapaense de Automobilismo (FAAP), a travessia regular do Rio Maroni entre Saint-Laurent-du-Maroni (Guiana Francesa) e Albina (Suriname) impôs barreiras aduaneiras e normativas complexas para o volume de veículos do rali nesta primeira edição.
Com a mudança, a cidade litorânea de Kourou, mundialmente conhecida por abrigar o Centro Spatial Guyanais (a base espacial da Europa), foi escolhida como a grande anfitriã da etapa final e da festa de premiação.
Conduzido pelo diretor de prova, Erlich Cordão, o mapeamento topográfico do trajeto já está praticamente definido. A largada promocional acontecerá no emblemático monumento do Marco Zero, em Macapá (AP), exatamente sobre a linha do Equador.
O rali será dividido em quatro etapas distintas, mesclando estradas de terra densa e longos trechos de asfalto exigidos pela geografia de preservação da floresta:
Etapa 1 (25/11): Macapá (AP) a Tartarugalzinho (AP) — 371 km (predominância de terra)
Etapa 2 (26/11): Tartarugalzinho (AP) a Oiapoque (AP) — 397 km
Etapa 3 (27/11): Oiapoque (AP) a Cayenne (Guiana Francesa) — 210 km (travessia de fronteira)
Etapa 4 (28/11): Cayenne a Kourou (Guiana Francesa) — 225 km (encerramento e pódio)
“O primeiro dia será predominantemente em terra. Nos demais, teremos trechos maiores em deslocamentos por asfalto, pois se trata de uma região com muitos rios e áreas de preservação ambiental. Será uma experiência incrível de imersão em novos cenários, culturas e idiomas”, detalhou Cordão, lembrando que o levantamento final em campo ocorre em agosto.
Articulação internacional e apoio institucional
A última missão técnica durou seis dias e selou o apoio político e econômico de prefeituras e órgãos diplomáticos dos dois países. Na Guiana Francesa, a comissão da FAAP garantiu suporte em reuniões com a prefeita de Cayenne, Sandra Trochimara, e com o embaixador Laurent Delahousse. Em Kourou, as vice-prefeitas Claudine Ringuet e Keila de Paiva firmaram uma parceria para montar uma agenda turística exclusiva para os competidores.
Do lado brasileiro, o prefeito de Oiapoque, Inácio Maciel, ratificou a estrutura de recepção e suporte aduaneiro na fronteira. A interlocução contou ainda com o respaldo estratégico de Dominique Mangal, presidente da União Guianense de Transporte Rodoviário (UGTR/UNOSTRA).
Categorias e Ações Sociais
O 1º Rally Internacional da Amazônia aceitará inscrições para cinco categorias independentes: Carros 4×4, Motos, Quadriciclos, UTVs e Expedição (esta última voltada para entusiastas e turistas sem fins competitivos).
Além do caráter esportivo, o rali levará contrapartidas sociais e de sustentabilidade para as comunidades isoladas do mapa da prova. Estão previstas as execuções dos projetos “Rotas da Leitura”, focado em educação e distribuição de livros, e “Quintais Produtivos”, voltado para o fomento de segurança alimentar e agricultura familiar.
As inscrições e o regulamento completo estão disponíveis para os competidores por meio do endereço eletrônico oficial da competição (www.rallyinternacionalamazonia.com.br). O evento conta com o patrocínio do Governo do Estado do Amapá e supervisão técnica da FAAP.

