Publicado em 24/03/2026
Da democracia dos EUA podemos extrair bons exemplos, mas do governo Trump, pouquíssimos. Pouquíssimos sim, afinal de contas nenhum dos ex-presidentes dos EUA conseguiu cometer tantos erros; entre eles, e o mais perigoso, sua opção mandonista e por guerras. Para tanto, basta que avaliemos, em apenas um ano deste seu segundo mandato, as tantas provocações que o mesmo tem feito, algumas delas já consumadas, a exemplo do que já aconteceu na Venezuela e o massacre humano que está em curso no Irã.
O lema “America First”, justamente o que o levou a retornar à presidência dos EUA, a seu jeito e modo, vem sendo levado ao extremo e, se não contido, poderá empurrar o mundo num despenhadeiro, pois na beira do abismo já nos encontramos. Ainda bem que o dito-cujo não mais poderá concorrer a um terceiro mandato, a não ser que o próprio venha a tentar revogar (mas não conseguirá) a lei que o impede de se candidatar à sua própria reeleição, menos ainda sua avançada idade, de mais de 80 anos.
Quando no século passado, ou mais precisamente entre os anos 1932 e 1940, o bem-sucedido governo do presidente Franklin Delano Roosevelt possibilitou que ele concorresse a um quarto mandato presidencial, de forma providencial e bastante assertiva, a Constituição dos EUA proibiu candidaturas de quem já houvesse ocupado a presidência por dois mandatos, sucessivos ou alternados.
Se este dispositivo constasse na nossa legislação eleitoral, o presidente Lula não estaria exercendo seu terceiro mandato e na busca de um quarto, com chances de ser reeleito. Surpreendentemente, no nosso país, ao invés do surgimento de novas lideranças políticas, os dois candidatos com potencial de serem eleitos, Lula e Flávio Bolsonaro, segundo todas as pesquisas, são rejeitados por mais de 45% dos nossos eleitores, desta feita prenunciando algo de muito errado.
Na disputa pelo governo do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad irão se enfrentar; justamente os dois candidatos que deveriam disputar a nossa presidência, mas não o fazem pois o lulismo e o bolsonarismo impediram que isto viesse a acontecer.
Daí a pergunta que não quer calar: por que dois candidatos altamente rejeitados serão os dois que irão disputar a presidência da nossa República? Por que a nossa legislação eleitoral possibilitou que os nossos partidos políticos fossem transformados nisto que está aí, na mais completa bagunça?
Por último, acrescento: enquanto a nossa atual legislação política, partidária e eleitoral se mantiver, tudo só tenderá a piorar.

